"Abril vermelho" soma 103 invasões em 17 Estados

O "abril vermelho" anunciado pelo coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, contabiliza até esta sexta-feira 103 invasões em 17 Estados com a mobilização de 29.073 famílias. O balanço considera apenas as ações do MST, mas incluem as invasões da última semana de março, a partir do dia 27. Pernambuco continua na liderança, com 32 ocupações envolvendo 8.275 famílias. Sergipe aparece em segundo lugar com 14 invasões, mas um número pequeno de famílias mobilizadas: 1.719. No Estado de São Paulo, terceiro colocado, ocorreram 12 invasões com a mobilização de 3.540 famílias. Quatro fazendas já foram desocupadas no EstadoNa Bahia, onde foram registradas 10 ações, envolvendo 4.260 famílias, ocorreu também a maior invasão. No dia 5, 3 mil militantes invadiram a fazenda Veracel, um complexo agroindustrial de capital estrangeiro, localizado em Porto Seguro. Paraíba teve 5 invasões (431 famílias), mesmo número registrado em Minas Gerais (780 famílias). Foram 4 no Rio Grande do Sul (1.650 militantes), 3 no Piauí (380), 3 no Rio de Janeiro e 3 no Pará (2.566), onde o movimento ocupou, dia 17, a fazenda Peruana, com 1.316 militantes, em Eldorado dos Carajás, para lembrar a chacina de 19 sem-terra ocorrida naquele município. Os Estados do Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo tiveram duas invasões cada. As outras foram em Goiás, Santa Catarina, Alagoas e Distrito Federal.De acordo com a coordenação nacional do MST, é a primeira vez que o movimento realiza um balanço mensal das ações, por isso não é possível comparar os dados de abril deste ano com os do mesmo período em anos anteriores.O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, considera que o próprio MST, ao divulgar o balanço, está dando a "notícia do crime" para o Ministério Público Federal investigar. "Invasão é crime e, se o MST está dizendo que fez mais de 100 invasões, seus dirigentes deveriam ser processados." O líder ruralista responsabiliza a "inércia" do governo federal pela tensão no campo. "Como não se fez nada para impedir as invasões, vamos encontrar um meio de responsabilizar o governo pelos prejuízos causados aos produtores."

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