Abraji pede resposta ao Maranhão sobre morte de blogueiros

Nas últimas duas semanas, ocorreram dois assassinatos no Estado; ambas vítimas mantinham blogs com crítica a políticos locais

Alexandra Martins Gonzaga, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 18h13

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) pede resposta às autoridades do Maranhão sobre a sequência de execuções de blogueiros no Estado. No dia 13, Ítalo Diniz foi assassinado a tiros em Governador Nunes Freire, a 460 km de São Luís. Oito dias depois, Orislândio Roberto Araújo (conhecido como Roberto Lano) foi executado em Buriticupu, região centro-oeste do Maranhão. Ambos mantinham blogs com crítica a políticos locais. "A Abraji insta as autoridades maranhenses a apurar com precisão e celeridade a motivação de cada um dos crimes. É preciso esclarecer se as execuções foram consequência do que os blogueiros publicavam e punir os responsáveis. Só assim será possível evitar novos crimes contra a liberdade de expressão", diz texto divulgado nessa quinta-feira, 26, pela entidade.

De acordo com a Abraji, a polícia maranhense não conseguiu determinar até o momento se as mortes têm relação com as atividades de Diniz e Lano como comunicadores. Responsável pelo caso de Diniz, o delegado Guilherme de Sousa Filho diz apenas que essa é uma das possibilidades investigadas. Quanto ao assassinato de Lano, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão diz em nota que “a polícia trabalha com várias linhas de investigação”.

As duas mortes sucedem o caso mais famoso do Maranhão nos últimos anos. Em abril de 2012, o jornalista e blogueiro Décio Sá foi assassinado com cinco tiros em um bar na Avenida Litorânea (região turística de São Luís). O repórter da editoria de política do jornal O Estado do Maranhão vinha publicando em seu blog matérias sobre crimes envolvendo agiotagem e pistolagem no Estado. No último dia 18, o assassino confesso do jornalista - Jhonathan de Sousa Silva - foi condenado a 27 anos e 5 meses de prisão. Os supostos mandantes do assassinato ainda estão aguardando julgamento e cumprem prisão preventiva / COLABOROU DIEGO EMIR, ESPECIAL PARA O ESTADO

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