Abraji homenageia cinegrafista morto em protesto no Rio

Associação contabiliza quase 200 incidentes violentos ou prisões envolvendo jornalistas desde a onda de protestos de junho de 2013

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2014 | 02h05

O cinegrafista Santiago Andrade, o jornalista Elio Gaspari e a Associação Contas Abertas foram homenageados ontem, na cerimônia de abertura do 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Atingido na cabeça por um rojão quando gravava imagens de protestos no Rio de Janeiro, Andrade morreu em fevereiro passado. Ele trabalhava para a TV Bandeirantes. O rojão foi disparado por um manifestante durante um tumulto com a Polícia Militar.

No evento de ontem foi exibido um vídeo em que colegas de Santi, como era chamado, o descreveram como um profissional dedicado e entusiasmado pelo trabalho diário com a notícia.

Vanessa Andrade, filha do cinegrafista, cobrou a punição dos responsáveis. Defendeu a liberdade para protestar, mas "sem bombas e sem destruição".

O presidente da Abraji, José Roberto de Toledo, lembrou que a entidade contabilizou quase 200 incidentes violentos ou prisões envolvendo jornalistas desde a onda de protestos de junho de 2013. Policiais militares foram autores da maioria das agressões.

Elio Gaspari, colunista dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, foi homenageado pela contribuição ao jornalismo brasileiro. Um minidocumentário sobre sua carreira, com depoimentos de amigos e colegas, foi exibido. No documentário, o historiador Kenneth Maxwell atribuiu a uma conversa com Gaspari, nos anos 1960, a ideia de ir a Minas Gerais em busca de documentos sobre Tomás Antônio Gonzaga e outros inconfidentes - pesquisa que resultou na publicação do clássico A Devassa da Devassa - A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal, 1750 - 1808.

Gaspari subiu ao palco do evento e ao discursar lembrou de episódios do início da carreira e da época em que foi preso político, durante a ditadura militar.

A ONG Contas Abertas recebeu de Marcelo Beraba, diretor da sucursal do Rio de Janeiro do Estado, o 1º Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo. Há quase dez anos a entidade se dedica a fiscalizar e decifrar os gastos orçamentários do governo federal.

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