Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Abraji considera tratamento de Bolsonaro a jornalistas assédio moral

Para a associação, o presidente já teve atitude semelhante mais de uma dezena de vezes desde que foi empossado

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2019 | 16h35

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota nesta sexta-feira, 20, em que protesta contra o tratamento dado pelo presidente Jair Bolsonaro a jornalistas nesta manhã na saída do Palácio da Alvorada. Para a entidade, as respostas exaltadas do presidente com ataques pessoais, caracterizam assédio moral aos profissionais.

Bolsonaro se irritou com as perguntas dos jornalistas e não respondeu várias das indagações. "Você tem uma cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual", disse a um repórter quando questionado se Flávio teria cometido algum deslize.

Com dedo em riste, o presidente mandou jornalistas "ficarem quietos" mais de uma vez.

Um outro jornalista perguntou se ele teria o comprovante do empréstimo, de R$ 40 mil a Fabrício Queiroz que segundo o presidente, foi ele mesmo que fez. "Oh, rapaz, pergunte para a tua mãe o comprovante que ela deu ao teu pai, está certo?" foi a resposta de Bolsonaro.

Na nota, a Abraji diz que "foram mais de uma dezena de ocasiões ao longo do primeiro ano de mandato em que o presidente teve atitude semelhante. Os apoiadores do presidente que também o aguardam na porta do Alvorada costumam celebrar os ataques, acentuando o clima de intimidação contra os repórteres". 

"Atacar jornalistas como forma de evitar prestar informações de interesse público e receber aplausos de apoiadores é ação incompatível com o respeito ao trabalho da imprensa, fundamental para a democracia", concluiu a entidade na nota.

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