Abin nega ligação com ação da PF na empresa de Roseana

Em reunião fechada, na Comissão Mista das Atividades de Inteligência, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, assegurou aos parlamentares que não houve participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na ação da Polícia Federal na empresa Lunus, de propriedade da ex-governadora Roseana Sarney.O general disse ainda que soube do caso pela imprensa e que, apesar de possuir escritório no Maranhão, a Abin não realizou operação no estado. ?Estou convencido de que realmente a Abin não teve envolvimento no caso?, disse o deputado Aldo Rebello (PC do BR-SP), que preside a comissão mista. ?Agora vamos ouvir os diretores da Polícia Federal anterior e atual?.O senador Jefferson Peres (PDT-AM) revelou que o general Cardoso assegurou que ?jamais, em tempo algum, a Abin bisbilhotou a Lunus ou qualquer outra empresa com objetivos políticos?. Contou ainda que o general reiterou que a Abin é uma agência de Estado e não de governo e, portanto, que está acima de questões partidárias.No caso dos agentes da Abin, que tiveram seus nomes revelados como se estivessem em São Luiz, por ocasião da invasão da Lunus, quando foi encontrado o R$ 1,34 milhão, o general Cardoso disse que os agentes não pisaram no Maranhão.Mas o deputado Aldo Rebello acha que as investigações sobre irregularidades na Lunus podem ter servido a objetivos políticos. Ele acredita, entretanto, que isso só poderá ficar claro depois de ouvir a Polícia Federal.O presidente da Comissão criticou o fato de o Ministério da Saúde ter contratado a empresa Fence para promover o rastreamento nos telefones do órgão. ?Uma empresa privada não poderia ter feito este tipo de serviço porque põe informações reservadas ou sigilosas sob o controle de empresa particular. Isso cria um outro problema de grave de segurança nos ministérios.?Para esclarecer esse episódio, Aldo Rebello anunciou que quer ouvir da Polícia Federal se ela tinha ou não condições de monitorar os telefones da Ministério da Saúde, que o ex-ministro José Serra, hoje candidato ao Planalto pelo PSDB, acreditava que estavam sendo grampeados. O general Alberto Cardoso informou aos parlamentares que a Abin foi consultada e avisou que não tinha condições de promover o monitoramento constante dos telefones do Ministério da Saúde, como era desejo daquele órgão. ?Não haveria recursos humanos disponíveis?, afirmou o general. Cardoso falou ainda sobre os objetivos do órgão e a forma como a agência trabalha para obter as informações. Por isso, segundo Rebello, era importante que a sessão fosse reservada. A diretora da Abin, Marisa Diniz, foi a única pessoa autorizada a acompanhar a audiência, além dos parlamentares.

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