Abin gastou R$ 256 mil na Satiagraha, revela Lacerda

Ex-diretor da agência e diretor-geral da PF divergiram ao depor no Senado

Rosa Costa e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

A Polícia Federal mostrou ontem, no Senado, que está completamente dividida desde que o delegado Paulo Lacerda deixou o comando do órgão, em agosto do ano passado. Lacerda assumiu a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mas revelou o grau de ingerência na PF ao admitir que a Abin gastou pelo menos R$ 256 mil para custear a ação de 56 arapongas que atuaram em Brasília, no Rio e São Paulo para apoiar a Operação Satiagraha, do delegado Protógenes Queiroz. Duas semanas atrás, o chefe da Divisão de Contra-Inteligência da Abin, Paulo Maurício, havia calculado que trabalharam na operação 52 agentes.Ouvidos ontem, pela segunda vez, na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), Lacerda e o atual diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, não conseguiram esconder que representam grupos diferentes na PF. Corrêa foi categórico ao afirmar que "não houve nenhuma comunicação informal às instância superior da PF sobre requerimentos" de agentes da Abin para a Satiagraha.Lacerda não explicou por que não avisou Corrêa e disse que considera legal a ajuda, por entender que são todos servidores do mesmo Estado.PAPELADAQuando Corrêa disse nada saber sobre o envio, pelos Estados Unidos, de 250 caixas de documentos sobre o banqueiro Daniel Dantas, Lacerda ironizou que teria sido informado, se chefiasse a PF. "É natural que, se um fato desse ocorresse, eu tomaria conhecimento: quer dizer, uma tonelada de documentos, eu tomaria conhecimento."O diretor afastado da Abin negou ter cedido, de uma só vez, 56 agentes à Polícia Federal. Esclareceu que 56 era o "somatório de servidores no período de quatro meses", quando teriam ficado 16 deles, em média, atuando ao mesmo tempo.O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, também ouvido pela comissão, tentou, mas não conseguiu defender a Abin. Ele endossou a informação de Lacerda de que os servidores do órgão se limitaram a ajudar Protógenes a descobrir o endereço dos investigados. Foi ironizado pelo senador Cícero Lucena (PSDB-PB): "Seriam milhares de endereços para precisar de tantos agentes da Abin."BUROCRÁTICOÀ tarde, o ex-servidor da agência Francisco Ambrósio Nascimento considerou "fantasiosa" a informação de que teria feito grampos na Satiagraha. Ele disse não ter "qualificação nem competência" para esse serviço e frisou que, no edifício-sede da PF, se limitava a fazer "trabalho burocrático", separando no computador matérias e pareceres que depois seriam analisados pelos peritos.

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