Abin ajudou Satiagraha a pedido de Protógenes, diz diretor

Ao depor na CPI, Lacerda diz que atuação foi dentro da lei e rebateu acusação de grampo telefônico

Agência Brasil e Agência Câmara,

20 de agosto de 2008 | 16h09

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, rebateu nesta quarta-feira, 20, na CPI dos Grampos, as acusações do dono do Opportunity, Daniel Dantas, contra ele. Durante depoimento, Dantas disse que a Operação Satiagraha ocorreu devido a articulações de Lacerda. Ainda segundo o banqueiro, o diretor da Abin teria direcionado as investigações contra ele, em represália à divulgação de informações de que o diretor da Abin teria contas irregulares no exterior.  Lacerda era diretor Polícia Federal em 2004, quando a operação começou.  Veja também:Deputado pede à CPI acareação de Dantas e ProtógenesSTF impede envio de dados da Operação Chacal à CPIReferência de Dantas a filho de Lula irrita PlanaltoEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel DantasMesmo protegido na CPI, Dantas ataca PF e envolve governoDantas diz que Protógenes 'quer criar dificuldades' Sem citar o nome do banqueiro, Lacerda confirmou que a participação da Abin na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi em atendimento a um pedido do delegado Protógenes Queiroz, que comandou as investigações. Lacerda disse que, tão logo soube do pedido de Protógenes, informou que a colaboração da Abin se daria dentro do patamar rotineiro dos demais órgãos federais, que também integram o Sistema Brasileiro de Inteligência. "A Abin não participou de nenhuma atividade da qual não estivesse amparada pela lei. Portanto, qualquer citação de possível monitoramento de comunicação de qualquer natureza pública ou privada é um absurdo."  Ainda quanto à Operação Satiagraha, o diretor esclareceu que a Abin colocou à disposição da Polícia Federal serviços de consulta a base de dados cadastrais de pessoa física e jurídica; análise do material pesquisado, com apresentação de resumos; e a confirmação de endereços de pessoas investigadas.  Daniel Dantas foi preso pela Satiagraha em julho deste ano, juntamente com o mega investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e outras 18 pessoas, acusados de crimes como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha.  Críticas à imprensa Lacerda fez críticas à imprensa pela não isenção jornalística e também pela discriminação das atividades da Abin, segundo a Agência Câmara. Ele citou matérias da revista Veja com denúncias de que a Abin praticaria escutas clandestinas e também de que o delegado Protógenes o mantinha a par de toda a operação Satiagraha.

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