GABRIELA BILO / ESTADAO
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ABI pede proteção para jornalista que denunciou ‘dia do fogo’

Ofício pede empenho direto do governador Helder Barbalho (MDB) para proteger Adécio Piran; anunciantes do jornal estariam sendo pressionados

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2019 | 16h16
Atualizado 03 de setembro de 2019 | 15h21

SÃO PAULO - A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) enviou ofício ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), pedindo seu empenho pessoal para garantir a vida do jornalista Adécio Piran, editor do jornal Folha do Progresso. O veículo foi o primeiro a denunciar o “dia do fogo”, em 5 da agosto, data em que fazendeiros daquela região combinaram, segundo a reportagem, a pratica de incêndios florestais em conjunto. O jornalista está sendo ameaçado e seus anunciantes estão sendo pressionados a abandonar o jornal, segundo o ofício. 

A nota diz que a ABI está ciente de que a Polícia Civil já abriu procedimentos investigatórios para apurar as ameaças, mas que considera “importante” solicitar o empenho do governador. Também diz ser importante garantir a sobrevivência da Folha do Progresso, que existe há 20 anos, "ora ameaçado por pressões feitas a anunciantes". 

No documento, a ABI destaca ainda que, depois de publicada a reportagem, os incêndios florestais na região se intensificaram. O texto cita dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontam 300% de aumento no número de focos de queimada no Sudoeste do Pará, na região de Novo Progresso, pouco após a divulgação da matéria jornalística. 

“Essa confirmação, no nosso entendimento, demonstra a seriedade do trabalho exercido pelo jornalista e torna ainda mais graves as ameaças que lhe estão sendo dirigidas”, afirma o ofício. As ameaças são descritas como “uma tentativa de cerceamento do seu trabalho profissional e um ataque à liberdade de expressão. 

A reportagem sobre o “dia do fogo” dizia que fazendeiros de Novo Progresso combinaram de incendiar focos florestais como forma de chamar atenção do governo federal para o fato que eles queriam “trabalhar”. A notícia teve repercussão internacional.

O governo do Pará foi questionado sobre o pedido e enviou uma nota com informações sobre as ameaças sofridas pelo jornalista. A Polícia Militar recebeu ordens de dar proteção a Parin, de acordo com o documento.

Segundo o texto, as ameaças sofridas por Piran estão sendo "apuradas estão sendo apuradas com rigor e celeridade". A Polícia Civil "deu início às investigações dos fatos denunciados pelo profissional de imprensa e já identificou o responsável".

O responsável, ainda segundo a nota, é Donizete Severino Duarte. Ele seria administrador de um grupo de WhatsApp denominado "Direita Unida Renovada", que teria sido usado para organizar o ataque. "Ele foi intimado a comparecer à delegacia, onde prestou depoimento e foi responsabilizado pelas ameaças. O procedimento seguiu para a Justiça." Ainda não foram identificadas pessoas que produziram e distribuiram panfletos na região com ataques escritos ao jornalista. 

"O Governo do Pará reafirma que respeita a liberdade de imprensa e não pactua com qualquer ato que venha fragilizar esse instrumento da democracia", finaliza a nota. 

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