Abertura de processo de impeachment dá início a nova fase de incerteza sobre Brasil, diz NYT

Segundo reportagem do jornal americano, batalha do Planalto para evitar a aprovação do impedimento de Dilma deve contribuir para uma sensação de paralisia em Brasília

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 15h49

NOVA YORK - Em meio ao aprofundamento da recessão e de um "colossal" escândalo de corrupção, a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff dá início a uma nova fase de incerteza no Brasil e aumenta a pressão sobre a dirigente, destaca o jornal The New York Times em reportagem nesta quinta-feira, 3, comentando a decisão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de aceitar ontem o pedido de impedimento.

O acatamento do pedido por Cunha, que também enfrenta acusações de corrupção, destaca o Times, dará início a um trâmite que vai demorar semanas e envolver "delicadas" negociações políticas. Ao mesmo tempo, a batalha do Planalto para evitar a aprovação do impedimento de Dilma deve contribuir para uma sensação de paralisia em Brasília.

Nesse cenário, a aprovação de medidas de austeridade fiscal ficam ainda mais difíceis. O Times destaca também que o recesso de final de ano no Congresso deve atrasar o trâmite do processo. O jornal ressalta que o primeiro passo será enviar o processo para a Comissão Especial, que será formada por representantes dos 26 partidos com representação na Câmara.

Ao mesmo tempo, o PT recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar todo o processo. Ainda que o processo não passe no Congresso ou seja barrado pelo STF, ele mostra o nível de turbulência política no Brasil, que tem tornado a governabilidade de Dilma cada vez mais difícil, ressalta a reportagem. A presidente tem enfrentando taxas de desemprego em alta, queda dos níveis de aprovação de seu governo para um dígito e a pior recessão em décadas no Brasil, ressalta o jornal.

Times destaca que, ao contrário de outras figuras políticas importantes no Brasil, algumas delas presas, não foram até agora encontrados indícios de que Dilma se beneficiou pessoalmente do escândalo de corrupção na Petrobrás. Nesse sentido, Dilma se encontra em "contraste forte" em relação à situação de Cunha, acusado de ter recebido propinas, inclusive do banco BTG Pactual, e de ter contas não declaradas na Suíça.

O jornal norte-americano menciona que Cunha ainda é acusado de ter aceitado o pedido de impeachment como uma retaliação, depois que deputados do PT afirmaram que votariam pela cassação de seu mandato.

Esteves. Em outra reportagem sobre o Brasil nesta quinta-feira, no caderno de Negócios, o Times destaca a prisão do banqueiro André Esteves e sua saída do controle do BTG Pactual por meio de uma operação de troca de ações. Inicialmente, se pensou que o executivo fosse o foco das investigações da Polícia Federal, mas denúncias surgiram de que o banco pagou propina para Cunha.

O jornal menciona que o BTG vem tentando vender ativos para fazer caixa, teve o rating rebaixado para a categoria grau especulativo, ou junk (lixo, no jargão usado pelo mercado financeiro) e vem enfrentando forte queda de suas ações.

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