Abertura de arquivos se resolve até o fim do governo, diz Genoino

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores(PT), José Genoino, garantiu hoje que a questão da abertura dos arquivos da ditadura militar será resolvida até ao final do mandato do presidente Lula, em 2006. "O país não pode ficar a olhar para sua história com medo. Não se trata de um ajuste de contas, mas de consolidar a democracia", afirmou a correspondentes estrangeiros em Brasília. Oficialmente, existem 424 desaparecidos durante o regime, que durou de 1964 a 1985. O governo federal, através da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, indenizou 280 famílias, com valores de 100 mil a 150 mil reais. Os pagamentos totalizaram 31 milhões de reais. As famílias reivindicam ainda saber onde estão os restos mortais dos desaparecidos, principalmente dos participantes da guerrilha do Araguaia, movimento armado do Partido Comunista Brasileiro no início dos anos 70.Para Genoino, é necessário mudar a legislação brasileira que impede a abertura de documentos da época da ditadura. O decreto que garante o sigilo desses arquivos por um período mínimo de 50 anos foi assinado em 27 de dezembro de 2002, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Sobre o futuro do partido, Genoino diz que o PT pretende intensificar relações com os partidos de esquerda da América Latina no próximo ano. Ele enfatizou afirmou, no entanto, que o partido não tem qualquer ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e que o modelo político vigente em Cuba não é uma referência para o PT.O presidente ainda falou sobre política econômica do governo. Segundo ele, o Brasil está evoluindo "sem romper contratos e sem qualquer tipo de aventura". As últimas eleições também foi um tema abordado. Genoino disse que o PSDB consolidou-se como principal opositor ao PT. Afirmou, entretanto, que o Brasil não caminha para o bipartidarismo.

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