Abertura de arquivo vira ato político com Dilma e Serra

Segundo ministro, presença dos dois pré-candidatos é simbólica porque assegura a continuidade da medida

TÂNIA MONTEIRO E LISANDRA PARAGUASSU, Agencia Estado

13 de maio de 2009 | 15h31

A cerimônia do governo para o anúncio de medidas que facilitem o acesso a informações públicas transformou-se em ato político envolvendo os pré-candidatos à sucessão presidencial, Dilma Rousseff e José Serra. O ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, do PT, lembrou o "simbolismo" de ambos estarem ali dividindo a cerimônia.

 

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Segundo ele, a presença das duas figuras que a imprensa aponta como fortes candidatos à presidência "assegura o compromisso que a caminhada (de abertura dos arquivos) é do Estado brasileiro e não importa a sucessão de partidos, de forças políticas no Poder, cuja alternância é sempre saudável na vida democrática".

 

Pouco depois, de improviso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou que ninguém deve ver nesse ato de acesso a documentos revanchismo ao governo militar, porque o atual governo pretende apenas prestar um serviço democrático ao desvendar os mistérios que ainda persistem na história.

 

E acrescentou: "daqui um ano e meio eu deixarei o governo e tudo o que eu fizer de errado, quem vier depois de mim, tem mais é que dizer as coisas que eu fiz de errado. E eu não posso achar que a pessoa está me perseguindo. Eu que trate de fazer as coisas certas, enquanto estiver no governo, para que depois eu não pague o preço de ficar correndo atrás das mazelas que quem entrar depois de mim achar que eu tenha feito".

 

Pouco depois, ao ser questionado sobre sua adversária política, o governador de São Paulo, José Serra, disse que não encara a ministra Dilma como eventual opositora. "Eu sou o governador de São Paulo e continuo trabalhando. Antecipar campanha não é bom. Não vim aqui nesta condição, nem encaro a Dilma desta maneira. A encaro como ministra da Casa Civil, com quem tenho boas relações pessoais", afirmou.

 

Dilma Roussef disse que a criação de um portal para colocar à disposição da população, na internet, documentos sobre a ditadura militar acaba com a "cultura do segredo de Estado".

 

O portal Memórias Reveladas vai disponibilizar informações do período de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985. Os documentos foram recolhidos dos extintos Serviço Nacional de Informações (SNI), Conselho de Segurança Nacional (CSN) e Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

 

O governo vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para regulamentar o acesso da população às informações sobre o período militar. Também foi assinado hoje, durante evento no Palácio Itamaraty, uma portaria para que os arquivos sobre a ditadura militar em mãos de particulares sejam entregues ao governo.

 

(Com Agência Brasil)

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