Aberta sindicância para apurar crise no instituto do câncer

Mais de duas semanas após as denúncias de irregularidades no Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Ministério da Saúde resolveu abrir uma sindicância para apurar os motivos que levaram ao desabastecimento de remédios. O primeiro passo será ouvir a ex-diretora administrativa Zélia Abdulmacih para saber por que ela mandou desativar o sistema de informática do instituto e, com isso, deixou de receber informações sobre a falta de medicamentos. O ministério também pediu ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal que acompanhem as investigações para a possível abertura de inquéritos.Segundo o diretor do departamento de atenção especializada, Arthur Chioro, um dos três técnicos que trabalham na investigação do Inca, os funcionários do instituto disseram que Zélia pediu para desligar o sistema porque ?não gostava de computador? e ?não entendia as máquinas?. ?Se for só isso, pode ficar provada a incompetência. Mas queremos saber se não existiram outros motivos?, afirmou Chioro.Há duas semanas, diretores do hospital entregaram os cargos, em protesto contra a gestão da então diretora administrativa. Eles acusaram Zélia pelo desabastecimento do Inca. O então diretor-geral Jamil Haddad acabou pedindo demissão, depois de ser forçado, pelo ministério, a exonerar toda a equipe. Uma equipe do ministério foi enviada ao Rio e é responsável pela administração do Inca até que um novo diretor-geral seja nomeado pelo ministro da Saúde, Humberto Costa.Zélia Abdulmacih disse hoje que está ?contente? com a sindicância do ministério. ?Eu não estou me defendendo de nada, porque não fiz nada errado. Essa história de que faltou medicamento é um fato inventado pela mídia e por algumas pessoas". Ela afirmou que pediu alterações no sistema de compras do hospital porque o programa dos computadores tinha falhas. ?Havia uma prática de comprar sem licitação, e eu queria acabar com isso, mas há pessoas que não queriam perder seus privilégios."

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