Abdenur fala no Senado sobre críticas ao Itamaraty

As relações Brasil-EUA no governo Lula vão exibir na manhã desta terça-feira, 27, um contraste curioso. Em Washington, o diplomata Antônio Patriota entregará suas credenciais de embaixador do Brasil nos EUA ao presidente George W. Bush. Em Brasília, os membros da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado pretendem registrar as críticas ao "antiamericanismo e à orientação ideológica" do Itamaraty, feitas pelo embaixador Roberto Abdenur, antecessor de Patriota.Esses movimentos contrários se darão a apenas dez dias do encontro de Bush com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, onde ambos assinarão acordos de cooperação na área de biocombustíveis, que darão base a uma parceria estratégica no setor.A expectativa do governo é que essa iniciativa permita aprofundar e diversificar as relações bilaterais, sem ferir a prioridade do governo Lula à parceria com os vizinhos sul-americanos e demais países em desenvolvimento, a chamada Cooperação Sul-Sul.No início de fevereiro, logo após ter deixado a embaixada do Brasil em Washington, Abdenur atacou justamente essa baliza. Afirmou à revista Veja que a definição da Cooperação Sul-Sul como o principal eixo da política externa do governo Lula "revela um antiamericanismo atrasado" e acusou o Itamaraty de adotar um "processo de doutrinação" dos diplomatas.Para ele, o elemento ideológico dominou a gestão Lula, na área externa. Próximo durante décadas do ministro Amorim, de quem foi secretário-geral em 1994, Abdenur chegou a afirmar na entrevista que o chanceler já não é mais seu amigo. O conteúdo de suas críticas e sua posição de veterano da diplomacia brasileira levaram os senadores tucanos Eduardo Azeredo (MG) e Flexa Ribeiro (PA) a convocar Abdenur para a audiência pública na comissão.Aos 52 anos, Patriota comandará uma representação do Brasil no exterior pela primeira vez e justamente pelo posto mais importante. Promovido a embaixador em 2003, o diplomata segue desde 1995 os passos de Amorim, de quem tornou-se "fidelíssimo escudeiro". Ambos atuaram juntos nas missões do Brasil em Nova York, na ONU, e em Genebra.

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