Abatido, FHC agradece carinho do povo com Ruth

Também estiveram presente à missa de 7º dia da ex-primeira-dama governador Serra, prefeito Kassab, e Alckmin

Carolina Freitas, Agência Estado

01 de julho de 2008 | 13h56

 Olhos vermelhos e mareados. Voz quase inaudível. Assim, abatido, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso agradeceu nesta terça-feira, 1,  ao povo, aos médicos e à imprensa o carinho dedicado a sua mulher,  Ruth Cardoso. "Infelizmente não posso dar um abraço e um beijo em cada um daqueles que se dirigiu de maneira tão calorosa à Ruth", disse depois da missa de 7º dia de morte dela, celebrada nesta terça-feira, 1,  na capela Nossa Senhora do Sion, na região central de São Paulo. "Não direi nada sobre ela. Não posso", disse, com a fala fraca.   A ex-primeira-dama morreu na noite do dia 24, aos 77 anos, vítima de problemas cardíacos. Mais de 500 pessoas compareceram à missa e quem chegou na hora marcada, às 11 horas, teve de assistir à cerimônia em pé, nas laterais e fundos da capela. Foram à celebração o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e os candidatos à prefeitura da capital paulista Gilberto Kassab (DEM) - atual prefeito -, Geraldo Alckmin (PSDB), e Soninha Francine (PPS).   Na primeira fila, Fernando Henrique sentou entre as filhas Luciana e Beatriz, ao lado dela estavam o filho, Paulo Henrique, e a nora, Evangelina Seiler. Beatriz enxugou as lágrimas do pai quando uma orquestra regida pelo maestro João Carlos Martins tocou Bach enquanto o padre Hector Velardi preparava a Eucaristia. Em seguida, o próprio FHC tirou um lenço do bolso e enxugou o rosto, lavado de lágrimas. Abatido, o ex-presidente se emocionou também quando, durante o sermão, o padre afirmou: "Dona Ruth não está morta. A morte foi só parte de uma caminhada". Fernando Henrique balançou a cabeça concordando.   Serra passou a missa relendo e fazendo anotações em duas folhas com texto de letra grande. Depois da Eucaristia, foi chamado ao altar, onde leu o discurso que preparara. Emocionado, parafraseou um poema de Manuel Bandeira. "Não sinto agora sua falta. Sei bem que ela virá pela força persuasiva do tempo", disse. "Você não morreu. Ausentou-se para outra vida."   Ao final da missa, o governador voltou a lembrar as atitudes solidárias de Ruth e a amizade. Disse que passará a ter uma convivência ainda mais próxima com Fernando Henrique. "Juntos, vamos procurar o melhor caminho."   Presença - Compareceram à missa de 7º dia de Ruth Cardoso o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, os ex-ministros Pedro Malan, Paulo Renato de Souza, Luiz Fernando Furlan e Cláudia Costin, além do presidente nacional do PMDB, Michel Temer. Estavam na celebração os secretários municipais de São Paulo Andréa Matarazzo e Alexandre de Moraes, além do ex-secretário da Assistência Social, Floriano Pesaro.   Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, e o ex-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) Horácio Lafer Piva também foram cumprimentar a família Cardoso.   Texto atualizado às 15h50

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