Abaixo-assinado pede pelotão do Exército em Roraima

O presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Sodiu, Silvestre Leocádio da Silva, representante do índios macuxis em Uiramutã, a 300 quilômetros de Boa Vista, entregou hoje ao ministro da Defesa, Geraldo Quintão, um abaixo-assinado com 2.500 assinaturas pedindo a construção do pelotão de fronteira. Em discurso, no local onde está prevista a construção do quartel, o ministro criticou a posição da Fundação Nacional do Índio (Funai), que tem se mostrado contrária à instalação do quartel e até do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Marcos Rolim (PT-RS), que fez um relatório sobre a situação da área, sem visitar Uiramutã, conforme atestou a prefeita da cidade, Florany Mota (PPB). O deputado teria ido apenas a Surucucu e Boa Vista."Quem não quer o quartel são pessoas que vêm de longe", denunciou Silvestre, dizendo-se independente. Para ele, os índios precisam do quartel para que a região se desenvolva. "Queremos o quartel e queremos dizer que os índios são os melhores soldados", disse o presidente da Sodiu.Abuso sexualA comunidade de Uiramutã é ligada à Igreja Evangélica. Uma outra comunidade, Maturuca, que fica nas proximidades, é ligada à Igreja Católica, e ao Conselho Indigenista e não quer a ida do Exército para a região, alegando que os soldados abusam das índias e a chegada do quartel vai levar mais problemas do que soluções."Não se pode usar a religião para promover a divisão dos índios", condenou o ministro Quintão, em discurso na Câmara Municipal. "Estão discriminando as pessoas por religião e isso a constituição não permite", disse ele, acrescentando que os que não querem a unidade militar lá não é por abuso sexual, é por causa do interesse de fazer a área contínua.

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