AA já são 2 milhões em 150 países

As histórias dos dependentes que procuram os Alcoólicos Anônimos (AA) são todas parecidas. A maioria começa a beber cedo e, por um longo período, consegue administrar o vício, até que, de repente, perde o controle. Então procura os AA. A partir daí é uma luta diária para se manter longe da bebida. Hoje são cerca de 2 milhões de AA em 150 países.O aposentado Bueno ? os AA não se identificam ?, de 70 anos, é um deles. Começou a beber aos 16 anos, ?para vencer a inibição?. Até os 37 anos conseguiu. ?Com essa idade, eu era assistente administrativo de um grande banco?, lembra. ?Um ano depois, perdi a mulher e a família. Era um ?malocado?, vivia numa pensão barata, com mendigos e bandidos.?Seu colega de AA, Carlos, 52 anos, motorista aposentado, começou a beber mais cedo, aos 12. ?Pelos 25 anos seguintes, vivi bêbado o tempo todo?, conta. ?Casei e trabalhava bêbado; só pensava em beber.? Apesar disso, ele ainda não havia chegado ao fundo do poço. Isso ocorreu quando sua mulher morreu, depois de 20 anos de casamento.Em três meses, Carlos vendeu a casa e o táxi que tinha e engoliu todo o dinheiro em bebida. ?Fui para as ruas, por onde perambulei entre 1994 e 1995?, recorda. ?Pedia esmola para comprar bebida.?Maria Cristina, 50 anos, tem uma história diferente. Ela não foi tão fundo no alcoolismo. Bebedora esporádica, só começou a acreditar que tinha problemas com o álcool de uns quatro anos para cá. ?Primeiro comecei a torcer para que o fim de semana chegasse logo para eu beber?, revela. ?Depois comecei a beber uma vez por semana, mais tarde duas e até que fazia isso todo dia.?Os três encontraram uma saída para sua dependência. Bueno a achou depois de ficar três dias preso. ?Fui tomar um banho na casa da minha irmã?, conta. ?Minha mãe estava lá e me convenceu a procurar os AA. Faz 31 anos que não bebo.? Carlos encontrou uma nova oportunidade ao bater no vidro de um carro para pedir esmola. ?Quem estava nele era meu irmão?, conta. ?Pedi para que me internasse para me livrar do vício. Estou há sete anos sem beber.?Maria Cristina procurou outra saída. ?Lendo uma reportagem, fiquei sabendo que a Unifesp estava precisando de voluntário para testar um novo remédio contra o álcool?, diz. ?Fiz os testes e fui considerada alcoólatra. Com a medicação e o apoio psicológico parei de beber desde março.?

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