Andre Dusek/AE-14/12/2011
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‘A volta é em fevereiro, da tribuna’, diz Jader

Senado marca reunião extraordinária só para dar posse a peemedebista, que fora barrado pela Ficha Limpa; com isso, ele vai ganhar R$ 53,4 mil

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

27 de dezembro de 2011 | 22h17

BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado Federal marcou uma reunião extraordinária para esta quarta-feira, 28, em pleno recesso parlamentar, para dar posse ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que fora barrado pela Lei da Ficha Limpa.

 

A antecipação da cerimônia permitirá a Jader receber duas ajudas de custo de R$ 26,7 mil, o salário de janeiro, quando o Congresso estará em recesso, e um valor proporcional a quatro dias de dezembro.

 

Na terça-feira, 27, a senadora Marinor Brito (PSOL), que assumiu o mandato no lugar de Jader, entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para se manter no cargo e impedir a reunião extraordinária, alegando que a medida não poderia ser tomada durante o recesso. O tribunal, porém, negou a liminar na noite de terça.

 

O desejo do peemedebista é uma posse discreta. Ele não pretende fazer discursos nem chamou aliados regionais para o evento.

 

"Eu não gostaria que os companheiros do PMDB que reservaram este final de ano para estarem com suas famílias viessem para Brasília apenas para participar de uma formalidade", disse Jader ao Estado. "Não vai ter discurso, não vai ter nada. Minha rentrée no Senado será em fevereiro, da tribuna."

 

Apesar disso, o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), o líder Renan Calheiros (AL) e outros caciques são esperados. Antes da posse, a Mesa ainda terá de decidir oficialmente que vai acatar a decisão do Supremo a favor de Jader.

 

Segundo mais votado no Pará na eleição para o Senado em 2010, Jader foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa e seus votos foram considerados nulos. Em 2001, ele renunciou ao mandato para não ser cassado como um dos suspeitos de desviar recursos do Banco do Pará (Banpará), na época em que era governador do Estado.

 

Neste ano, porém, o STF decidiu que a nova lei não poderia ter sido aplicada em 2010. Com isso, candidatos ficha-suja que tivessem recebido os votos necessários deveriam tomar posse. Jader já tinha sido julgado pelo STF e saiu derrotado. O PMDB pressionou o tribunal e o presidente Cezar Peluso, no dia 14, votou duas vezes para desempatar a favor de Jader a análise de um recurso. Com isso, o peemedebista foi liberado para assumir.

 

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