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A véspera da crise

Com o País mergulhado em uma crise política e econômica sem precedentes, em que gestão temerária e corrupção se somam como causas, o Poder Legislativo realiza hoje eleições para as mesas diretoras da Câmara e do Senado.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2015 | 02h02

O envolvimento de parcela expressiva do Congresso na rede de corrupção montada na Petrobrás, no entanto, torna mais importante o dia seguinte.

Não obstante, o resultado que será conhecido à noite determinará a maior ou menor estabilidade do governo para enfrentar as dificuldades que tem pela frente, sintetizadas no programa recessivo para a economia, nos efeitos das investigações da Operação Lava Jato, que sangram a mais simbólica empresa nacional, e na disputa autofágica entre PT e PMDB pela supremacia política.

Estão em jogo as presidências da Câmara e do Senado, esta última agora com a candidatura do catarinense Luiz Henrique (PMDB-SC) ameaçando a reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Na Câmara, mesmo nas contas oficiais do Planalto, Cunha tem entre 270 e 280 votos, entre 13 e 23 a mais que os 257 necessários à sua eleição no primeiro turno. Nas contas dele, esse número é de 330.

Ficando-se com a conta do governo, que subtrai ao líder do PMDB, na hipótese pior, 60 votos, tem-se uma ideia da solidez da dianteira do deputado peemedebista sobre seu principal concorrente, Arlindo Chinaglia, do PT paulista. As mesmas contas atribuem ao candidato da oposição, Júlio Delgado (PSB-MG), 70 votos.

A força do governo nessas ocasiões não deve ser subestimada, mas ele entrou tardiamente no processo, levado pela convicção de que Cunha seria atingido por alguma das investigações em curso, o que não ocorreu até aqui.

Agora, o governo só pode prometer, quando Cunha já entregou.

O mais provável, portanto, é a vitória de Eduardo Cunha, cuja antecipação no processo eleitoral foi fundamental para seu favoritismo hoje. Além de ter viabilizado financiamento para uma centena de campanhas nas eleições passadas, ele negocia habilmente cargos estratégicos na Mesa e nas comissões, entre outras vantagens.

Ao PSDB, por exemplo foi oferecida a Primeira Vice-Presidência, o que tenta, pelo menos, nove de seus 54 deputados, na conta do presidente paulista do PSDB, Duarte Nogueira, que assegura 45 votos para o socialista Júlio Delgado (MG).

Se ficar desse tamanho, a oposição pode levar o governo ao segundo turno.

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