Beto Barata/AE
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A um dia do julgamento, Demóstenes volta ao plenário

Em último discurso, senador afirmou que resistiu ao que considera 'campanha de demolição' de sua honra

Ricardo Brito, da Agência Estado

10 de julho de 2012 | 16h58

No sétimo discurso que faz em plenário, nesta segunda, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) afirmou que resistiu ao que considera "campanha de demolição" de sua honra. A um dia do julgamento no qual poderá ser cassado por usar o mandato na defesa dos interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Demóstenes disse que chega ao julgamento com a "cabeça erguida", convicto de que será absolvido.

"Não há um cálculo preciso, mas estima-se que a campanha de demolição da minha honra tenha produzido até agora 3 milhões de textos dos mais diversos tamanhos e graus de agressividade", disse. "Mas eu resisti e chego à véspera da votação com a cabeça erguida e a convicção de que a verdade prevalecerá".

No pronunciamento, Demóstenes disse que ultrapassou "uma a uma" todas as barreiras das provas ilegais a partir dos vazamentos criminosos contra ele. Mas logo em seguida fez uma ressalva: falta uma barreira, a votação amanhã na qual o Senado vai escolher, na opinião dele, um futuro de "insegurança jurídica" em que qualquer um "terá de ser eliminado para atender a sanha acusatória", ou um amanhã justo, respeitando-se os direitos dos representados, sem pressa".

"O Senado vai optar pelo devido processo legal, sem pressão, em julgamento baseado em provas, não em campanhas de danos contra senadores", acredita o senador, no mais curto discurso da série, de apenas 10 minutos, para uma plateia de apenas 10 senadores.

Demóstenes disse que nada do que foi dito por ele no pronunciamento do dia 6 de março foi comprovado. Na ocasião, ele admitiu ser amigo de Cachoeira, mas negou ter negócios com o contraventor. "Não se trata de ser cassado amanhã, trata-se de defender a própria honra, de manter límpida uma biografia escrita com esforço, estudo e disciplina", afirmou.

O senador afirmou que é preciso voltar ao "curso normal" dos trabalhos. "Junto com Vossas Excelências, tenho ainda muito a contribuir com esta Casa e vou perseverar nos estudos e nas pesquisas para aprimorar a elaboração de proposições e relatórios. Agora sobrevivente de uma atrocidade sem precedentes, me sinto mais maduro para legislar", disse.

Segundo Demóstenes, ao custo de "lágrimas", "dor", "sono" e "saúde", chega "limpo com uma carreira de ações transparentes". Ao final, ele disse que a perseguição vai ser derrotada e os pais, seu Avelomar e dona Luzia, mencionados pela primeira vez nos discursos, continuarão tendo a certeza de que permanece limpo o nome da família.

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