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A tucano, presidente em exercío reitera que não é candidato

Após atritos com principal partido aliado, Temer diz ao senador José Aníbal que objetivo é fazer um bom governo e unir forças para melhorar as contas

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - O presidente em exercício Michel Temer afirmou em encontro com o senador José Aníbal (PSDB-SP) que o objetivo do governo é consertar as contas públicas. Na reunião realizada no Palácio do Planalto na noite de terça-feira, 16, Temer afirmou mais uma vez que não é candidato à reeleição em 2018 e disse que só deseja fazer um bom governo. O encontro foi uma espécie de “prévia” do jantar que o peemedebista ofereceu a tucanos na noite desta quarta-feira, 17, no Palácio do Jaburu.

Aníbal tem vocalizado críticas dos tucanos às concessões feitas pelo governo interino no ajuste fiscal. Recentemente, em discurso da tribuna do Senado, o senador – suplente do chanceler José Serra – defendeu que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, seja inflexível e evite novas “bondades”, como os reajustes aprovados no Congresso – com o aval do Planalto – para o Judiciário, o Tribunal de Contas e os Ministérios Públicos nos Estados, além das concessões feitas na renegociação das dívidas com os Estados.

Ao Estado, Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), um dos mais próximos conselheiros de Temer, rebateu críticas dos tucanos a Meirelles. Segundo ele, não é “recomendável transformar o ministro da economia em vítima de manipulação eleitoral”.

As declarações de Aníbal causaram desconforto no governo, levando o Planalto e o próprio Temer a agir. Reservadamente, integrantes do PSDB desconfiam que a falta de austeridade fiscal, com as concessões, seja um indicativo de que Temer ou mesmo o ministro da Fazenda podem ser candidatos a presidente da República daqui a dois anos. Apesar das cobranças por um maior rigor fiscal, as bancadas tucanas na Câmara e no Senado respaldaram as “bondades” do governo.

Na conversa, conforme relatos, Aníbal disse a Temer que há uma pressão de corporações por concessões em propostas que integram o ajuste fiscal, num momento em que o País conta com um grande contingente de desempregados. Temer reconheceu que o importante é somar forças para melhorar as contas e que tem todo o interesse em fazer uma boa gestão. A conversa não chegou a abordar a atuação de Meirelles na Fazenda. O encontro, segundo apurou o Estado, se deu em clima de cordialidade.

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