A trajetória de Palocci com áudio da Eldorado

No começo de 2002, Antônio Palocci assumia a coordenação do programa de governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva. O então prefeito de Ribeirão Preto ocupava o lugar de Celso Daniel, assassinado no dia 20 de janeiro do mesmo ano.Durante a campanha, ele passou a ser o interlocutor petista mais admirado pelo mercado financeiro. Palocci foi o responsável pelas declarações de que, caso o PT ganhasse a eleição, manteria a austeridade fiscal e o controle da inflação.Com o prestígio em alta, o coordenador do programa de governo se tornou o responsável pela transição depois da vitória. Antônio Palocci foi um dos primeiros a ser confirmados para o ministério, junto com Marina Silva, do Meio Ambiente.Durante toda a gestão, o ministro foi um dos mais atacados pela ala esquerda do Partido dos Trabalhadores. Ele continuou, no entanto, a ser um dos mais elogiados por empresários e pelo mercado.Dentro do próprio Governo, colegas de outras pastas criticavam a política econômica atribuída a Palocci. O primeiro a levantar a voz foi o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, considerado homem forte de Lula.As discordâncias começaram depois das primeiras denúncias contra o governo federal. Waldomiro Diniz, assessor de Dirceu, foi acusado de pedir dinheiro a empresários do bingo para campanha eleitoral. O caso chegou até Rogério Buratti, ex-integrante da administração Palocci em Ribeirão Preto.O governo conseguiu, no entanto, impedir que uma CPI sobre o caso fosse instalada no Congresso.No ano passado, novas denúncias contra o PT e José Dirceu abalaram mais uma vez a gestão Lula. O Partido dos Trabalhadores foi acusado de pagar pelo apoio de legendas aliadas. A instalação das Comissões Parlamentares de Inquérito se tornaram inevitáveis.O primeiro a cair foi justamente o chefe da Casa Civil, José Dirceu. Mas as acusações levaram a uma retomada das denúncias contra Antônio Palocci. O advogado Rogério Buratti, ex-assessor dele, acusou o ministro de receber dinheiro de uma empresa de lixo em Ribeirão. Pela primeira vez, Antônio Palocci teve de ir a público se defender.Ele conseguiu acalmar o mercado, dizendo que todas as denúncias teriam de ser provadas.Mas novas acusações surgiram e o ministro foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado dar explicações. Antônio Palocci negou ter recebido recursos de fora para a campanha de Lula.O ministro reclamou dos interesses políticos que dizia existir nas denúncias.Antônio Palocci negou também que os conflitos com a nova chefe da Casa Civil significassem um enfraquecimento dele no cargo. O ministro garantiu que o debate interno no Governo era democrático.Antônio Palocci ressaltou que ficaria no cargo até quando o presidente Lula quisesse.O ministro conseguiu acalmar mais uma vez os mercados e os adversários. Mas surgiu uma nova denúncia de que Palocci freqüentava uma casa alugada pelos ex-assessores dele em Ribeirão Preto. O autor da acusação, o caseiro Francenildo Costa, explicou que o petista era chamado de chefe entre os colegas.Com a última denúncia, Antônio Palocci demorou para reagir, permanecendo uma semana em silêncio. O ministro se pronunciou em um evento em São Paulo e creditou as acusações a interesses políticos de um ano eleitoral.Mas o último discurso de Antônio Palocci não foi suficiente para segurá-lo no cargo. Faltando nove meses para o fim do mandato de Lula, o ministro decidiu pedir o afastamento da pasta.

Agencia Estado,

27 de março de 2006 | 19h09

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