Patricia Santos/Estadão
Patricia Santos/Estadão

Há tentativas de frear a Lava Jato, diz Pastore

Economista e diretor Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), Affonso Pastore fala sobre a resistência do universo político à operação

Entrevista com

Affonso Celso Pastore

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2017 | 00h14

A classe política está trabalhando para acabar com a Operação Lava Jato?

Existem sinais da classe política. É possível notar tentativas de colocar um breque na Operação Lava Jato. Você tem todo um sistema que funcionava a partir da corrupção, empresas que se beneficiavam com os esquemas de propinas para políticos e, paralelamente, políticos que se perpetuavam no poder graças a esses esquemas. Você substituir isso por algo diferente, por algo que privilegie a competência e a honestidade é um trabalho árduo. É normal que a operação encontre resistência de quem está ou sempre esteve no poder.

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A sociedade está passiva diante dos novos fatos? As pessoas cansaram de lutar contra a corrupção?

A sociedade está perplexa. Ela observa que corruptos agem sem inibição. A sociedade já notou que existe uma resistência do status quo em combater a própria corrupção. Por isso, é possível identificar uma frustração, um receio de que tudo o que a Operação Lava Jato fez até agora não representa uma mudança profunda em nosso sistema. 

A Lava Jato vai pautar as eleições de 2018?

A eleição vai ser o resultado de uma sucessão de acontecimentos. Não será um fato isolado que vai definir os rumos da campanha. Mas, claro, 2018 será influenciado pela Operação Lava Jato, o debate será pautado por seus desdobramentos e resultados. Aconteça o que acontecer, a operação será um ponto relevante nessa disputa.

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