Imagem José Roberto de Toledo
Colunista
José Roberto de Toledo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

A semana política na rede

Impeachment e Lista Janot. Esses foram os dois termos que dominaram a política na rede virtual esta semana. Os termômetros usados pela coluna para identificá-los foram duas chaves da internet: citações no Twitter, medidas pelo Ibope DTM, e a variação nas buscas por assuntos ligados à política no Google Brasil. Deu impeachment no Twitter, e Lista Janot no Google.

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2015 | 02h00

As especulações para impedir Dilma Rousseff apareceram em 1 a cada 3 tuítes pesquisados pelo Ibope DTM sobre política esta semana. Em 91% deles, as citações à presidente não foram exatamente favoráveis. Prêmio de consolação: a frequência da palavra impeachment diminuiu na quinta e na sexta. Acabou superada por Petrobrás e as denúncias da Lava a Jato.

Os termos políticos cujas buscas feitas no Google, desde o Brasil, mais cresceram ao longo desta semana foram: 1.º) Lista Janot; 2.º) Guerra no Brasil; 3.º) Lei dos caminhoneiros; 4.º) Cesare Battisti; 5.º) Medida provisória 669. Os cinco temas têm algo em comum: são problemas para o governo federal.

A lista mede a curiosidade dos brasileiros sobre assuntos que afetam a política. Não é um ranking do que foi mais procurado, mas do que teve pico de crescimento, os pontos fora da curva.

Do fim para o começo, MP 669 é a medida que o presidente do Senado devolveu ao Palácio do Planalto sem nem sequer submeter aos senadores. A natimorta fazia parte do ajuste das contas públicas que Dilma tanto precisa: acaba com o desconto a que empresas tinham direito desde 2011 nos tributos sobre a folha de pagamentos. Renan Calheiros disse que a MP é inconstitucional.

Cesare Battisti é o militante político de esquerda condenado por assassinato pela Justiça italiana e que uma juíza federal mandou deportar. Ele permanecia no Brasil graças a um ato do ex-presidente Lula, que o considerou alvo de perseguição na Itália. Cabe recurso. É uma novela que sangra o governo a cada capítulo.

Lei dos caminhoneiros é como ficou conhecida a lei 13.103, que Dilma sancionou para tentar esvaziar os bloqueios que vinham paralisando estradas e ameaçando o abastecimento de combustível e alimentos em partes do Brasil. Perdoa multas, isenta de pedágio os eixos suspensos de caminhões vazios e permite ao motorista trabalhar por até 12 horas seguidas, por exemplo.

O governo cedeu, e a conta vai bater no preço do pedágio - talvez, na inflação. O lado bom é que, após a sanção da lei, o tema dos caminhoneiros desceu ladeira abaixo no Twitter.

Alguns dos resultados para a busca por "Guerra no Brasil" no Google remetem a páginas que tratam de "guerra civil" e "guerra com a Venezuela". É, quase sempre, sandice. Mas não deixa de expressar o grau de polarização virtual e radicalização verbal.

O termo que mais cresceu nas buscas do Google, a Lista Janot, não é surpresa. Trata-se da notícia mais esperada em semanas, os nomes dos políticos denunciados pelo procurador-geral ao Supremo Tribunal Federal para serem investigados por suspeitas levantadas pelos delatores premiados da Operação Lava a Jato. Foi também o tema dominante na quinta e na sexta no Twitter.

A Lista Janot explica a curiosidade pela MP 669. Foi por ser citado na lista do procurador que Renan rejeitou a medida provisória do governo. Um jeito pouco sutil de dizer que quer o mesmo tratamento dado a Aécio Neves e à presidente, cujos nomes foram excluídos dos pedidos de investigação feitos por Janot.

Com o gesto, Renan desafiou Dilma a uma corrida de resistência para ver qual dos dois se desgasta antes e pede água. A virada de lado do presidente do Senado, ao melhor estilo Underwood, transformou o até então incendiário presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em bombeiro. Cunha disse que, se dependesse dele, não teria devolvido a MP, pois a devolução criou um buraco negro jurídico. Assoprou a mordida de Renan. Não basta, porém, para fazer passar a dor no calcanhar do Planalto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.