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A regra é clara

Ao contrário do que possam pensar os soldados tão exaltados quanto desavisados da guerra em curso na internet, o PT não está assim desarvorado quanto parece com o comportamento - ainda é cedo para dizer se duradouro ou fugaz - da oposição que desde a eleição se revela.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2014 | 02h02

Forjados na disputa, petistas do Executivo, do Legislativo ou na máquina do partido sabem muito bem qual é o nome e quais são as regras do jogo. Não estão sendo ingênuos quando pedem e repetem que o senador Aécio Neves e companhia desarmem os palanques e "respeitem" o resultado das eleições, não obstante lá se vá um mês e tanto do final do pleito e do formal reconhecimento da legitimidade do resultado por parte do então candidato.

Cândidos - para contabilizar só os de boa-fé - são os que absorvem como argumento válido o mero exercício de retórica e saem por aí repetindo o que interessa às cobras muito bem criadas nesse vaivém da política. Evidente que ao PT agradaria muito mais manter a situação anterior, dos 12 anos em que o País viveu apático, praticamente sem oposição.

Então, quando o contraditório se apresenta forte, sem meias palavras, dando às coisas os nomes que elas merecem ter, o partido reage. Ao seu modo tradicional de reagir. De maneira radical. Como? Acusando o adversário de golpista, antidemocrático, buscando empurrá-lo para a ilegalidade e, se não for possível, o jogando no campo do burlesco.

É o que já estão fazendo alguns grupos, disseminando versões de que o senador Aécio Neves seria um "bobo" em atuação de linha de frente a mando de Fernando Henrique Cardoso que, por esse raciocínio, ficaria preservado para agir nos bastidores. Resta saber o seguinte: agir em prol de qual ação? A favor do governo é que não seria.

Com 12 anos de atraso, a oposição decidiu apresentar suas credenciais. E não há nisso nada demais. Se houver, há de menos, pois de institucionalmente anormal foram os últimos anos em que o País viveu de maneira apática, praticamente sem oposição. O governo fala em descida do palanque, quando foi ele quem nos intervalos entre uma eleição e outra ficou permanentemente em cima do tablado eleitoral ao arrepio da lei e da ética.

É o último a poder fazer reparos e o menos autorizado a se queixar da assertividade da oposição, pois foi sempre o primeiro a zombar da maneira desajeitada de o adversário lidar com o contraditório. Golpismo mediante pedidos ainda inócuos de impeachment? Seria inusitado e até mesmo engraçado, não fosse o PT tão experiente no tema.

Opinião dura. Duas pesquisas interessantes do instituto Datafolha publicadas recentemente: uma diz que 68% dos brasileiros atribuem algum tipo de responsabilidade à presidente Dilma Rousseff pelo escândalo da Petrobrás. Suficiente para o Planalto ao menos reaver a estratégia de comunicação segundo a qual a chefe do governo nunca teve conhecimento do esquema de corrupção na estatal.

Outra consulta mostra que 66% das pessoas aprovam a democracia como o melhor regime de governo. O mais alto desde 1989. Nos calcanhares da ditadura, apenas 43% acreditavam que o fim do regime militar era a melhor solução.

Hoje em dia, mais que o grau de satisfação de 66% da população com a democracia, chama atenção a quantidade de gente indiferente à natureza do regime. Para 27%, tanto faz democracia ou ditadura ou mesmo que "em determinadas circunstâncias" o governo imponha como regra a supressão das liberdades.

As datas. A referência, no artigo de domingo, a Carlos Castello Branco ter "nos deixado em 20 de maio de 1993" é em relação à última coluna publicada, e não à morte do jornalista, ocorrida em 1.º de junho daquele ano.

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