Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados

'A quem interessa parar o País?', pergunta Berzoini

Ministro-chefe da Secretaria de Governo classifica prisão de Delcídio do Amaral como 'incidente' de percurso que, segundo ele, não deve prejudicar votações no Congresso

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 18h38

BRASÍLIA - Dois dias depois da prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou que o Palácio do Planalto não vai deixar um “incidente” de percurso prejudicar as votações no Congresso. Apesar da crise política provocada com a prisão do líder do governo no Senado, que tornou inviável a aprovação da proposta de mudança na meta fiscal nesta semana, o ministro disse nesta sexta-feira estar confiante na retomada das votações.

“A quem interessa parar o País?”, perguntou Berzoini, que é responsável pela articulação política do governo com o Congresso. “Só se for quem aposta no quanto pior, melhor”. Ao Estado, o ministro disse que, se o projeto de lei que altera a meta fiscal de 2015 não for aprovado, não haverá como bancar a execução orçamentária. “Temos um desafio importante a cumprir”, insistiu.

Por causa da crise, a presidente Dilma Rousseff cancelou a viagem que faria, na próxima semana, ao Vietnã e Japão e só manteve a etapa do roteiro internacional a Paris, onde ela participará da 21.ª Conferência do Clima. O Planalto alega, porém, que o cancelamento da viagem não pode ser debitado na conta da política, mas, sim da economia. Motivo: o governo vai baixar na segunda-feira um decreto, bloqueando pouco mais de R$ 10 bilhões, para não dar margem a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que podem realimentar as discussões referentes ao impeachment de Dilma.

Mesmo com todas as dificuldades, Berzoini não vê um cenário tão sombrio pela frente e procurou demonstrar otimismo. “O caso Delcídio será tratado onde deve ser tratado. Ele vai prestar contas para quem de direito”, amenizou ele. “Se um líder do governo falou coisas impróprias, o que isso tem a ver com o governo? Nada. Ele vai ter de se explicar. Não vemos qualquer razão para que não possamos trabalhar normalmente na semana que vem, por causa deste incidente.”

O governo ainda não decidiu quem será o substituto de Delcídio na liderança do Senado e Berzoini vai ouvir os líderes de todos os partidos da base aliada, na segunda-feira, antes de Dilma bater o martelo sobre a indicação.

O ministro disse não acreditar que o processo de impeachment, sempre tratado por ele como “aventura golpista”, avance na Câmara, apesar das novas ameaças feitas pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Defensor do “diálogo permanente” com Cunha, Berzoini acha que os três integrantes do PT no Conselho de Ética devem votar “de acordo suas consciências”.

Nos últimos dias, em conversas reservadas com Berzoini e com o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deputados manifestaram insatisfação com a posição do governo de dar uma trégua a Cunha e não defender com veemência a sua cassação. O presidente da Câmara é acusado de manter contas secretas na Suíça com dinheiro desviado de contratos da Petrobrás.

A estratégia do Planalto é não provocar Cunha porque cabe a ele, mesmo fragilizado, definir se dá ou não seguimento ao processo de impeachment contra Dilma. “O governo não pede nada a ninguém”, argumentou Berzoini. “No Conselho de Ética, o deputado se transforma em juiz de instrução e no plenário ele julga se houve quebra ao decoro parlamentar. Não há como interferir nisso.” 

 

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