''''A qualquer momento posso voltar'''', avisa Lupi

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou ontem que não renunciou à presidência do PDT, mas apenas se licenciou do cargo para "acalmar a ira de forças raivosas e de gente odiosa". Lupi disse que não cometeu nenhuma irregularidade e desafiou alguém a provar que haja alguma entidade ou organização não-governamental vinculada à bandeira do PDT beneficiada pelo ministério. Ele considerou uma ilegalidade a declaração de incompatibilidade entre as funções de presidente de partido e ministro."Na Europa, os ministros são todos presidentes de partido", comparou. "Vou cuidar do ministério, continuando presidente do partido, mas licenciado. Não estou renunciando. Estou me licenciando e, a qualquer momento, eu posso voltar", explicou Lupi, ao descer no Aeroporto Petrônio Portella, em Teresina, onde assinou convênios com o Estado da ordem de R$ 9 milhões para capacitação e qualificação de mão-de-obra.Ao explicar sua licença, Lupi disse que consultou o novo presidente da Comissão de Ética da Presidência, Sepúlveda Pertence, e foi convencido a se licenciar para não criar constrangimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós vamos continuar com a mesma linha programática e com o mesmo trabalho no ministério. Eu desafio alguém a provar que houve benefício ou favorecimento a alguma entidade com ou sem bandeira do PDT", afirmou o ministro. "Sabemos que há forças raivosas que tentam nos prejudicar e prejudicar o ideal do PDT."Ele atribuiu a pressão para sua saída da presidência do PDT a interesses contrariados. "São algumas pessoas desafetas na história do trabalhismo, na nossa luta pela causa do trabalhador", acusou. "Mas considero isso como um fato vencido. Eu tenho a consciência tranqüila de estar garantido pela Constituição Federal. Agora, o processo para mim se esgotou."O convênio assinado pelo ministro vai beneficiar qualificação de trabalhadores em 21 municípios do Piauí. Ele visitou a cidade de Pedro II, que é administrada pelo PDT. Lupi estava acompanhado do presidente do partido no Piauí, deputado Flávio Nogueira, do secretário de Trabalho e Empreendedorismo, Hélio Isaías (PTB), do senador João Vicente Claudino (PTB) e dos deputados Marcelo Castro (PMDB) e Osmar Júnior (PC do B).

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