'A Procuradoria assumiu função legislativa?', questiona Gilmar

Em julgamento sobre delação da JBS no STF, ministro pede a palavra para criticar acordos com 'cláusulas ilegais' feitos pelo Ministério Público

Breno Pires, Rafael Moraes Moura, Isadora Perón e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 18h36

BRASÍLIA - Durante o voto do ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que debateu nesta quarta-feira, 21, os limites de atuação do magistrado nos acordos de delação premiada, o ministro Gilmar Mendes pediu a palavra para fazer uma manifestação contra a atuação do Ministério Público Federal. Na segunda-feira, 19, Gilmar criticou o que chamou de "abusos" em investigações, o que foi rebatido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no mesmo dia, sem citar nomes.

"Veja, a Procuradoria pode muito. Mas pode tudo? É isso que a lei autoriza?", questionou Gilmar, que continuou: "Me parece que nós temos que esclarecer o que se pode fazer, sob pena de ficarmos em platitudes.”

O ministro sugeriu em seu voto que o Ministério Público tem extrapolado de suas funções em alguns acordos de delação premiada. Ele citou, por exemplo, situação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Segundo o magistrado, o MP estabeleceu que Pessoa deveria cumprir pena em regime domiciliar diferenciado.

"A Procuradoria assumiu agora a função legislativa no âmbito de acordos?", disse Gilmar. O ministro também levantou questionamento sobre o papel do STF de homologar os acordos. "Cláusulas flagrantemente ilegais podem ser homologadas?", pontuou.

Segundo Gilmar, o caso da JBS é "ainda mais delicado", devido à concessão de imunidade penal aos delatores do grupo.

Tudo o que sabemos sobre:
delação premiada

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.