Dida Sampaio/ESTADÃO
Dida Sampaio/ESTADÃO

A prisão de Lula seria pior para o Moro, avalia Gilberto Carvalho

Homem de confiança de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho acusou o Juiz Sérgio Moro de agir “politicamente”

Erich Decat, Brasília

17 de março de 2016 | 12h33

BRASÍLIA - Homem de confiança do agora ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da secretaria geral da Presidência Gilberto Carvalho acusou o juiz Sérgio Moro de agir “politicamente”. Discreto, Carvalho acompanhou a posse de Lula realizada no Palácio do Planalto na manhã de hoje da penúltima fila da cerimônia.

Em conversa com o Estadão após o evento, o petista ressaltou que era uma “bobagem” dizer que Lula estava ocupando o comando da Casa Civil para obter foro privilegiado e dessa forma escapar das investigações de Moro no âmbito da Lava Jato. “Ele não veio aqui para escapar do Moro, isso é uma bobagem. Se ele fosse preso o pior seria para o Moro e não para ele, porque ficaria evidente a injustiça. Na entrevista, Carvalho também admitiu que Lula ao assumir como status de “superministro” poderá ser uma “sombra” para presidente Dilma. “É evidente que ele é uma figura muito grande dentro do governo. É evidente que vira uma sombra”.

Veja os principais trechos da entrevista.

Qual é a avaliação do senhor desse momento atual do governo?

Acho que nós temos que ser propugnadores da paz. Para nós o que importa é o País funcionar, o governo funcionar e seguir a vida. Essa reação que houve ontem desesperada, inclusive com uma ação ilegal do juiz Moro mostra o desespero que o excesso de politização trás, quando há contaminação do judiciário fazendo com que ele ultrapasse o limite a legalidade. Isso é gravíssimo.

Foi uma ação politizada de Moro?

Foi uma ação politizada que o levou a cometer uma ilegalidade. O desespero dele em dar uma resposta à nomeação do Lula, inesperada, levou ele a não ter suficientemente calma e sanidade para analisar... isso não pode passar assim, porque se passar, se o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a procuradoria, o Supremo deixar passar está ai uma porteira aberta para a subjetividade... Mas eu entendo essa reação. Estou usando a seguinte figura: nós estávamos feito um lutador nocauteado, o juiz já estava contando o número oito. Eles já estavam levantando o cinturão. Ia ter o impeachment e depois a prisão do Lula em algum momento. Esse era o cenário desenhado. Essa atitude da Dilma em trazer o Lula e ele aceitar num momento muito difícil, para ele não é fácil aceitar, ele insistiu inclusive para não ter foro privilegiado. A vontade dele era ficar no Conselhão, mas ela se deu conta que ficaria muito artificial, que era melhor ele assumir a Casa Civil uma espécie de presidência interna do governo e como isso ajudar muito mais efetivamente.

Mas como o senhor viu as reações de rua de ontem?

Algumas redes de televisão nitidamente insuflaram mobilizações. Houve toda uma loucura. Se esperava que depois de domingo não haveria nada mais a não ser o impeachment. Então, nós do nosso lado temos que ter tranquilidade, olhar isso tudo. Entender essa reação, nos prender à estrita legalidade e fazer o governo funcionar e mudar a economia.

A vinda do Lula não virá uma sombra para a presidente Dilma?

Vai depender do ponto de vista. É evidente que ele é uma figura muito grande dentro do governo. É evidente que vira uma sombra, mas uma sombra para o bem do País. É uma generosidade dela reconhecer esse momento de fragilidade e dificuldade e pedir ajuda. Pedir ajuda nunca é uma coisa errada. Ele não veio aqui para escapar do Moro, isso é uma bobagem. Se ele fosse preso o pior seria para o Moro e não para ele porque ficaria evidente a injustiça.

Quais são os primeiros passo que o governo tem que tomar com o Lula?

Acho que a primeira coisa é o reatamento político com a nossa base aliada. Tem que haver uma busca para recompor a nossa base e desmontar essa coisa do impeachment. Ao mesmo tempo é tomar medidas junto com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no sentido de realimentar o crédito, o investimento, dialogar com os empresários para recuperar a credibilidade do governo. O governo tinha perdido a credibilidade e o Lula é uma figura, pela história, que tem condição disso.

O senhor fala em recompor com a base, como vê a ausência de Temer na posse?

Também isso tem que ser entendido. Acabou de haver uma convenção do PMDB, que praticamente vai na linha da ruptura, proibiram a nomeação. Era muito difícil ele vir na posse de um ministro que na visão deles desobedeceu a convenção. Acho natural. É um caminho a ser construído. Michel Temer é um cara de bom senso, sempre contribuiu muito, e eu aposto na possibilidade de uma recomposição com ele. 

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