Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

A primeira noite na cadeia de um preso 'sereno'

Sala da PF foi adaptada para receber Delcídio, que recusou refeição do local e pediu porta-terno

Andreza Matais e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 06h46

BRASÍLIA - O ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS) passou sua primeira noite preso numa sala adaptada para recebê-lo na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Uma cama de solteiro foi colocada no recinto. O petista recusou a comida oferecida, alegando problemas de estômago. Coube a assessores levar as refeições, do café da manhã ao jantar, e até um “porta-terno”.

O mandato garante ao senador ficar na Sala de Estado-Maior, com condições bem melhores do que a da carceragem. O banheiro, que tem chuveiro, ele compartilha com os policiais federais. O local fica fora da sala em que ele está preso. Quando quer utilizá-lo, policiais o acompanham. Três agentes ficam com Delcídio o tempo todo.

As visitas se restringiram a assessores e aos advogados. Situação bem diferente do que ocorreu no mensalão, quando parlamentares petistas fizeram uma caravana para visitar o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino na prisão, condenados por envolvimento no esquema de compra de votos no governo Lula. Delcídio foi o presidente da CPI dos Correios, que investigou o esquema e resultou na prisão dos colegas de partido.

Após sua primeira noite na prisão e já ciente da decisão do Senado de mantê-la, Delcídio disse que estava “sereno” a um assessor que levou para ele nesta quinta-feira, 26, pela manhã um café com leite, suco de laranja, um misto quente e uma maçã. Ele também recebeu do amigo mudas de roupas mais leves, além do porta-terno. Ao interlocutor, Delcídio só fez perguntas sobre como estavam a mulher, os filhos e os familiares.

Prerrogativas. Mesmo preso preventivamente após tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato, o senador não perde a prerrogativa de parlamentar e terá direito a receber os R$ 33,7 mil de salário por ao menos quatro meses. De acordo com o regimento interno da Casa, um senador que estiver “temporariamente privado da liberdade” entra em licença automaticamente. Para esse tipo de situação, a licença da cadeira do senador – com direito a salário, verbas indenizatórias e foro privilegiado – seria mantida até o fim do mandato, caso a prisão não seja revogada.

A Secretaria-Geral da Mesa do Senado informou que, caso Delcídio permaneça preso por mais de 120 dias, o primeiro-suplente dele, Pedro Chaves (PSC-MS), será convocado para assumir. Até lá, Delcídio vai receber salário.

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