Isac Nóbrega/Planalto
Isac Nóbrega/Planalto

Por apoio, Bolsonaro fala em criar conselho político

Estratégia inicial de usar frentes parlamentares para conseguir apoio no Congresso fracassou e o presidente foi aconselhado a aceitar a distribuição de cargos

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 11h10

Em encontro com presidentes dos principais partidos do chamado Centrão, na manhã desta quinta-feira, 4, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a intenção de criar uma espécie de conselho político para aproximar o governo com os partidos e o Congresso. Prestes a completar cem dias de mandato, o presidente se reúne com dirigentes de 11 partidos para convidá-los a integrar a base de sustentação do governo no Congresso.

Presidente do PSDB, Geraldo Alckmin afirmou que o partido mantém posição de independência em relação ao governo e que os tucanos apoiam a reforma da Previdência governo, mas com restrições. "Não há nenhum tipo de troca, não participaremos do governo", ponderou. 

A estratégia inicial de Bolsonaro de usar as frentes parlamentares para conseguir apoio no Congresso fracassou e o presidente foi aconselhado a aceitar a distribuição de cargos, na volta da viagem a Israel, para aprovar a reforma da Previdência.

Durante as conversas desta manhã, Bolsonaro não pediu apoio formal de acordo com fontes consultados pelo Estado. O presidente afirmou que o País precisa da ajuda de todos e avisou aos presidentes dos partidos que, caso eles não queiram fazer parte da base do governo, que pelo menos apoiassem as propostas prioritárias como a Previdência.

O ministro Onyx Lorenzoni explicou aos dirigentes partidários como funcionaria o conselho político. Seriam dois grupos que se reuniriam a cada 15 dias. O primeiro, formado por presidentes de partidos, o segundo por líderes do Congresso. Eles seriam recebidos ora pelo próprio presidente, ora por Onyx.

A medida é uam reação a força demonstrada pelo Centrão nas últimas semanas. No vácuo da articulação política, o grupo - formado por siglas como DEM, PP, PR, PRB, PSD e Solidariedade que em alguns casos tem como aliados o MDB e  o PSDB – se organizou e impôs derrotas ao governo no Congresso.

“O presidente fez um gesto. Não queremos cargos, queremos solução. Queremos ser recebido por ministros e atendidos em nossas demandas”, afirmou o presidente do PRB, Marcos Pereira, o primeiro a se encontrar com Bolsonaro.

Na quarta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão disse se as adesões ao Planalto forem aceitas, a coalizão terá como contrapartida cargos no governo. Nos bastidores, porém, Bolsonaro já avisou que, mesmo cedendo, não existirá “porteira fechada” na Esplanada ou em qualquer repartição federal para nenhum partido.

“A partir do momento em que os partidos concordem com o que o governo pretende fazer, é óbvio que eles vão ter algum tipo de participação, seja em cargos nos Estados, algum ministério ou algo do gênero”, argumentou Mourão ontem.

No encontro, o ministro da Casa Civil afirmou aos presidentes dos partidos que era o primeiro de uma série. “O dialogo está apenas começando”, disse Onyx segundo um interlocutor que participou das reuniões do início da manhã.

Bolsonaro tem encontros separados, nesta quinta-feira, com os presidentes do DEM, PSDB, MDB, PP, PSD e PRB. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que comanda o PSDB, confirmou presença. As rodadas de conversa ocorrerão em duas etapas: na terça e quarta-feira, Bolsonaro receberá dirigentes do PSL, PR, PROS, Podemos e Solidariedade. Até agora, apenas o PSL, seu partido, integra a base do governo no Congresso.

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