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Paulo Giandalia/AE
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'A presidente não governa mais', afirma Bicudo

Jurista e fundador do PT que protocolou pedido de impeachment de Dilma afirmou que iniciativa busca dar efetividade às manifestações de rua

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 18h33

São Paulo - Autor de um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff o jurista Helio Bicudo, 93 anos, fundador do PT, disse ao Estado que o objetivo da iniciativa é dar efetividade às manifestações de rua que pedem a destituição da presidente. Segundo Bicudo, Dilma já não está mais governando. 

"A presidente já não governa mais. Quem está governando são os acólitos (ajudantes, acompanhantes) que estão do lado dela", disse Bicudo.

O jurista, no entanto, poupa o vice-presidente, Michel Temer (PMDB). 

"O vice-presidente não tem tido uma atuação política que justifique seu afastamento", argumentou.

Segundo ele, a ideia de fazer o pedido de impeachment surgiu depois de conversas com representantes de movimentos que chamaram as manifestações de rua contra a presidente.

"A ideia foi evoluindo a partir das manifestações de rua onde se pede o afastamento da presidente. Para que as manifestações tivessem fundo só seria possível com um pedido formal de afastamento", afirmou o jurista.

Bicudo deixou o PT em 2005 ao lado de deputados que viriam a fundar o PSOL e do ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014) no auge do escândalo do mensalão. Desde então se transformou em uma voz crítica à legenda que ajudou a fundar. Em 2010, quando Dilma foi eleita, ele anunciou publicamente apoio à candidatura do tucano José Serra à Presidência. Segundo Bicudo, o motivo da saída do PT é o afastamento do partido de seus objetivos originais. 

"O PT foi criado para ser uma ferramente absolutamente democrática mas hoje o partido está dominado pelo caciquismo", disse ele. 

Bicudo negou ter sido procurado por políticos antes ou depois do pedido de impeachment e disse achar naturais as divergências de seus filhos que, em entrevistas à Folha de S. Paulo, discordaram da iniciativa do pai. 

"Meus filhos foram criados em um sistema democrático. Não quero atrelá-los àquilo que eu penso", afirmou. Segundo ele, Dilma agiu com dolo (intenção) na questão das chamadas pedaladas fiscais e isso fundamenta juridicamente o pedido. 

"Dilma não tem apenas culpa no que aconteceu. Ela atuou diretamente para que aquilo acontecesse. Na campanha pela reeleição ela disse que faria isso e aquilo e fez exatamente o contrário", disse Bicudo.

Questionado sobre a permanência do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado pelo Procuradoria Geral da República de participação no esquema de desvios da Petrobrás, na presidência da Câmara, Bicudo se esquivou.

"Isso é um problema interno da Câmara. Ele foi eleito pela maioria dos deputados. Não quero me imiscuir nos problemas deles", disse o jurista. 

 

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