DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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'A porta da minha casa está aberta', diz Cunha sobre Lava Jato

Presidente da Câmara preferiu não comentar as oposições feitas à operação Politeia e descartou ligações entre as medidas de busca e apreensão e uma possível retaliação do governo

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 18h03

Atualizado às 18h47

Brasília - Um dia após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República terem realizado buscas em residências e escritórios de políticos, incluindo três senadores, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que as portas da sua casa estão abertas para as investigações. "A porta da minha casa está aberta. Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar", comentou o presidente, que é um dos investigados perante o Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto envolvimento no esquema deflagrado pela Lava Jato.

Ele preferiu não comentar as oposições feitas à ação dos investigadores e descartou ligações entre as medidas de busca e apreensão e uma possível retaliação do governo aos parlamentares. "Não foi uma ação motivada pelo governo. Não dá para acusar o governo pela ação. O espetáculo talvez você possa acusar, mas a ação não", completou o peemedebista, dizendo que é "preciso deixar o tempo e as coisas aparecerem".

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) disse mais cedo que a Casa estuda a possibilidade de mover um processo contra a operação de busca e apreensão realizada nesta terça.

Na terça, investigadores tiveram como alvo os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra (PSB-PE), além do ex-ministro Mario Negromonte e do ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC) e do advogado Tiago Cedraz.

A operação Politeia foi a primeira fase das investigações da Lava Jato perante o STF e cumpriu 53 mandados de busca e apreensão em 6 Estados e no Distrito Federal. Os mandados de busca foram solicitados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizados por três ministros do STF: Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski.

Aliança. O presidente da Câmara também voltou a falar sobre a relação de seu partido com o PT, dizendo que a aliança "já acabou". Ele afirmou que o PMDB ainda está na base de governo da presidente Dilma Rousseff, pois tem "responsabilidade com a governabilidade", mas comparou a relação a um casamento em que o casal "dorme em quartos separados".

"A chance de o PMDB se aliar ao PT em 2018 se não é 0%, é 0,001%. A aliança com o PT já acabou praticamente. É aquela história de casamento em que já estão dormindo em quartos separados faz tempo", afirmou. 

Em entrevista ao Estado em junho, o peemedebista já havia antecipado que o PMDB "dificilmente repetirá" a aliança com o PT e avaliou que o modelo estava esgotado.

No período da manhã, em evento para anunciar investimento nas redes sociais, dirigentes do PMDB defenderam o lançamento de candidatura própria para as eleições presidenciais de 2018. Além de Cunha, estavam presentes no evento o vice-presidente da República, Michel Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), o ex-presidente da República José Sarney (AP), além de deputados e senadores. 

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