''A política é muito suja'', reclama Marta

Petista se defende da acusação de ter feito ataques pessoais contra o adversário lembrando de sua militância pelos direitos das minorias

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

17 de outubro de 2008 | 00h00

Com a campanha abalada pela propaganda que questionou a vida pessoal do prefeito Gilberto Kassab (DEM), a petista Marta Suplicy disse ontem ter se tornado "vítima" de um "desvirtuamento" que teria o objetivo de lhe atribuir postura preconceituosa. "A política realmente é muito suja", reclamou. "Eu fui transformada em vítima."Na origem das turbulências que marcaram a campanha de Marta nos últimos dias, a propaganda foi veiculada no domingo e perguntava se Kassab é casado e tem filhos. Empenhada em contestar a avaliação de que o comercial fazia insinuações sobre a sexualidade do prefeito, ela procurou apoio em seu histórico de militância pelos direitos de minorias."Eu acho que houve um desvirtuamento de tudo o que foi feito nesta campanha, querendo jogar um preconceito na pessoa que mais batalhou contra o preconceito neste país", disse, ao visitar pela manhã uma favela na Vila Prudente, na zona leste. "Se há uma pessoa que combateu o preconceito neste país, contra homossexuais, contra gays, contra lésbicas, contra mulheres, contra negros, contra minorias, que apanhou neste país para defender categorias minoritárias, fui eu."Marta disse ser alvo de uma interpretação "lamentável e preconceituosa". "Desvirtuam por quê? Para lançar lama, primeiro em mim, dizendo que sou preconceituosa. E segundo lançando uma nuvem em cima da trajetória do candidato."Apesar da insistência dos jornalistas para que apontasse os responsáveis, a ex-ministra optou por um discurso vago. Ainda assim, deixou claro quem considera o culpado pelo episódio: a imprensa. "Depois que rádios, televisões, articulistas, comentadores começaram a colocar insinuações no comercial, aí o comercial passou a ter vários significados."Marta voltou a sustentar que nunca fez nenhum tipo de insinuação na propaganda. O único objetivo, de acordo com ela, era levantar questionamentos sobre a biografia de seu adversário, para deixar claro ao eleitorado seu "DNA político". A candidata tem reservado boa parte de seu discurso a associações entre Kassab e o ex-prefeito Celso Pitta, que governou a cidade até 2000. ESPERANÇA A dez dias da eleição, Marta também saiu em busca de votos na região de Heliópolis, na zona sul, que abriga uma das maiores favelas da cidade. Após um caminhada em que intercalou algumas corridas, a petista empenhou-se em demonstrar que ainda acredita na possibilidade de vencer a disputa com Kassab. "Estou com saúde, energia e estou muito animada", disse, ao justificar o passo acelerado em alguns trechos do percurso. "O candidato Kassab caiu, nós subimos. E temos certeza de que venceremos." Na última pesquisa Ibope, encomendada pelo Estado e pela TV Globo, Marta ficou com 39%, contra 51% do prefeito. Na Vila Prudente, Marta fez uma rápida caminhada pela pequena favela, concedeu entrevista aos jornalistas e entrou no carro, deixando no local moradores insatisfeitos com o encontro. "Ela saiu correndo de um jeito que parecia estar fugindo", disse o líder comunitário Aparecido Augusto de Souza, sem esconder a irritação. Ele argumentou que havia reservado um espaço para que ela se sentasse com moradores para discutir problemas da região.

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