A pedido de sem-terra, Justiça intervém em cartório de Murici

Maria Ferreira é acusada de falsificar documentos para beneficiar família Calheiros

Ricardo Rodrigues, do Estadão

31 de julho de 2007 | 19h46

O corregedor-geral de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa Filho, nomeou nesta terça-feira, 31, Everaldo Ferreira de Melo como interventor do cartório da Comarca de Murici, a 59 quilômetros de Maceió. A intervenção, que tem duração de 90 dias e pode ser renovada por mais 30, foi reivindicada pelas lideranças dos trabalhadores rurais sem-terra, que na semana passada ocuparam a fazenda Boa Vista, do deputado federal Olavo Calheiros, irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (ambos do PMDB de Alagoas).   Segundo os sem-terra, a tabeliã Maria de Lourdes Ferreira, que foi afastada do cartório e responde a processo administrativo na Corregedoria-Geral de Justiça, vinha utilizando o cargo para receber documentação falsificada e "legalizar" terras griladas na região de Murici, para beneficiar a família Calheiros. "   Desde 2005 que nós estamos reivindicando  intervenção nesse cartório, para que sejam apuradas as irregularidades praticada pela tabeliã", afirmou Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT).   "Depois das denúncias de irregularidades, feitas pelos sem-terra e também por fazendeiros da região, o desembargador Sebastião Costa Filho, decidiu pela intervenção no cartório", informou o jornalista Ronaldo Lima, assessor de imprensa da Corregedoria Geral de Justiça.   Segundo ele, essa decisão foi publicada, na edição desta terça-feira, do Diário Oficial do Estado. Com a decisão, a tabeliã Maria de Lourdes Ferreira fica afastada da função e no lugar dela assume Everaldo Ferreira de Melo. O pedido de intervenção contou com o apoio do juiz Sóstenes de Andrade, que revelou a existência de outros dois processos contra Maria de Lourdes.   O afastamento da tabeliã foi a principal condição imposta pelos sem-terra para desocupar a fazenda Boa Vista, que tem cerca de 528 hectares e fica na zona rural de Murici.   Durante a invasão, os agricultores acusaram o deputado de grilar terras no município, com o apoio de funcionários do cartório. Os trabalhadores rurais desocuparam a fazenda no último sábado, um dia depois da decisão judicial que determinou a reintegração da fazenda. O deputado Olavo Calheiros acusou os sem-terra de ter praticado atos de vandalismo durante a ocupação da fazenda, mas não divulgou qual o valor do prejuízo.

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