A pedido de Lula, Dirceu opera para senador

Ex-ministro esteve com Sarney, ligou para Dilma e articulou com dirigentes de partidos

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2009 | 00h00

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu desembarcou na terça-feira à noite em Brasília para reforçar a operação de salvamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Desde ontem, Dirceu está conversando nos bastidores com senadores, dirigentes de partidos da base aliada e ministros, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Planalto avalia que a estratégia de lançar a boia para Sarney tem sido bem-sucedida. Para Lula, Sarney foi convincente em seu discurso na tribuna e conseguiu baixar a temperatura da crise. Dirceu tomou café da manhã com Sarney, ontem, e falou por telefone com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora no cargo e candidata do PT à cadeira de Lula, em 2010. Tranquilizou o presidente do Senado e garantiu que o PT não atrapalharia sua vida. No papel de articulador político informal do Planalto, o ex-ministro ficará até hoje em Brasília. Nesta passagem de 48 horas pela capital ele prevê conversar com 40 pessoas.A articulação pela permanência de Sarney começou cedo no Planalto: enquanto Dirceu tomava café com o aliado, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, reunia em seu gabinete o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), além de alguns ministros, deputados e do presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).Lula e Dilma estão preocupados com o impacto da crise na aliança com o PMDB, em 2010. O presidente chegou a mandar um recado aos petistas: disse que os senadores "rebeldes", contrários a Sarney, não precisavam chamá-lo para o palanque. Dos 12 senadores que compõem a bancada petista, nove serão candidatos à reeleição, em 2010, e querem o presidente nas campanhas.Depois da bronca de Lula, o PT começou a afinar o discurso. Nas palavras de um senador do partido, "foi uma amarelice geral". Nos encontros a portas fechadas com antigos companheiros de partido, o ex-poderoso chefe da Casa Civil - cassado pela Câmara no rastro do escândalo do mensalão, em 2005 - pediu a eles que não pusessem mais lenha na fogueira. Alegou que, ao apoiar o afastamento de Sarney, a bancada do PT dava "tiro no pé" e jogava água no moinho dos tucanos.Além disso, nas conversas reservadas com petistas e políticos do PMDB, PTB, PSB e PDT, o ex-ministro tem cobrado a unidade da base aliada. O argumento de Dirceu é que os partidos da coalizão governista precisam não só salvar Sarney como se preparar para o segundo round da guerra, a partir de hoje, na CPI da Petrobrás.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.