A pedido de Lula, Bastos fica no ministério até reforma

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, deverá aguardar mais um pouco para sair do ministério. O pedido foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira em reunião reservada entre os dois. Lula quer que Bastos fique até o início da reforma ministerial, que deverá começar depois do Carnaval. Entre os cotados para ficar no lugar de Bastos, estão o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence e - com menor chance - o ex-ministro do STF Nelson Jobim.Bastos assumiu o Ministério da Justiça em janeiro de 2003, no início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante os quatro anos em que ocupou o cargo, o advogado criminalista atuou como uma espécie de escudo para o governo.Com trânsito livre entre políticos e autoridades da Polícia Federal, Bastos assumiu posições importantes durante o escândalo de corrupção no governo petista, iniciado em meados de 2005, e a crise da segurança pública em São Paulo, no ano passado.Em abril de 2006, a oposição questionou a atuação de Bastos e o suposto envolvimento do ministro na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Na ocasião, dois de seus auxiliares foram vistos na casa do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que deixou o cargo após o escândalo.No mês seguinte, após os ataques da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, Bastos tomou a frente das negociações e ofereceu ajuda federal ao governo paulista na luta contra a onda de violência.BiografiaMárcio Thomaz Bastos nasceu em julho de 1935, em Cruzeiro, no interior de São Paulo, e é advogado criminalista, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco).Ao longo de sua carreira, já trabalhou em aproximadamente 700 julgamentos, tendo atuado, por exemplo, na acusação dos assassinos de Chico Mendes e, recentemente, do jornalista Pimenta Neves.Bastos presidiu a seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) entre 1983 e 1985 e, novamente, entre 1987 e 1989. Após a eleição do ex-presidente Fernando Collor de Mello, integrou o governo paralelo instituído pelo PT, comandando o setor de Justiça e Segurança. Dois anos depois, com o jurista Evandro Lins e Silva, participou da redação da petição que resultou no impeachment de Collor.Recentemente, Bastos fundou o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e, antes, ao lado de Severo Gomes, Jair Meneghelli e dom Luciano Mendes de Almeida, criou o movimento Ação pela Cidadania.

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