A pedido da Funai, Força Nacional vai a Sindrolândia

Parte do efetivo da Força Nacional se deslocou nesta quinta-feira para Sidrolândia, a pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai) para conversar com as lideranças indígenas. O comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Carlos Alberto David dos Santos, coordena a operação e informou que uma equipe foi até o município para explicar como será a atuação da Força Nacional na região.

LUCIA MOREL, Agência Estado

06 Junho 2013 | 21h17

Após essa reunião, os 110 policiais da segurança nacional irão permanecer na região do conflito, mas apenas nas estradas de acesso às fazendas e não dentro das propriedades, junto com os indígenas. "Um efetivo foi para lá para explicar como será a atuação da Força Nacional, que não veio para fazer a reintegração, mas para pacificar".

Fazendeiros

Produtores rurais das terras invadidas por indígenas na cidade de Sidrolândia (MS) estão indignados com a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF 3) que suspendeu a retirada dos terenas da região.

O proprietário da Fazenda Buriti, Ricardo Bacha, afirma que a Justiça está "lavando as mãos" e se eximindo de tomar uma atitude frente à situação de conflito instalada na região. "Temos uma decisão do próprio TRF de que a terra não é indígena. Se eles mesmos disseram isso, por que agora vêm suspender? Eu acho isso uma contradição muito grande".

Para o pecuarista, a Justiça está "dançando o samba do crioulo doido" porque "não existe estabilidade jurídica". Bacha afirma que vai acatar a decisão do TRF3 e aguardar até que se tenha outra definição da situação. "Eu vou aguardar a Justiça e cumprir a lei, porque eu cumpro a lei, quem não cumpre são os índios", disse.

O vizinho de área, Vanth Vanni, dono da Fazenda Cambará, também invadida, tem um discurso mais inflamado. "Consegui tirar parte do gado. Outra parte os índios estão carneando", contou. Para ele, o que está ocorrendo na região é "banditismo". Vanni lembrou de decisão anterior do TRF 3, sobre a ação de demarcação de terras, em que os desembargadores do tribunal concluíram que as terra das fazendas não eram tradicionalmente indígenas. "O que mais me admira é a Justiça me mandar aguardar uma decisão final se hoje a posse da terra é minha. Já há a legalidade estabelecida".

O produtor afirmou que a decisão do desembargador José Lunardelli foi mais "política que legal". "O governo tem que ter uma atitude política de resolver logo e comprar as terras. Porque se eles não aceitarem isso, nós vamos retomar a terra, e não vamos perder, não".

Joziel

O quadro de saúde de Joziel Gabriel, atingido por um tiro na tarde do dia 4 de junho durante uma ação dos terenas em uma fazenda vizinha à Buriti, é estável. O diretor técnico da Santa Casa de Campo Grande, Luís Alberto Kanamura, explicou que o indígena pode inclusive receber alta na próxima semana.

O médico ponderou que Joziel vai passar por um exame de ressonância magnética na semana que vem e que o resultado é que vai definir se ele deverá ou não passar mais tempo internado. "Está prevista uma ressonância para ele semana que vem para verificar a lesão na medula. Dependendo do resultado, ele recebe alta", disse. O indígena ainda corre o risco de ficar paraplégico "com ou sem cirurgia". "Ele pode, sim, ter sequelas", afirmou o médico.

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