Reprodução, Ed Ferreira e André Dusek/Estadão
Reprodução, Ed Ferreira e André Dusek/Estadão

Relatório da Kroll encomendado por CPI aponta 56 contas suspeitas de alvos da Lava Jato

Investigados pela empresa de espionagem também teriam propriedades e empresas no exterior que ainda são desconhecidas pelos investigadores; documento ainda está em sigilo

Andreza Matais , Daniel Carvalho , Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O relatório da empresa de espionagem Kroll encomendado pela CPI da Petrobrás apontou suspeitas de que 12 alvos possam manter fora do país 56 contas bancárias, além de poder existir seis propriedades e 33 empresas ainda desconhecidas dos investigadores da Operação Lava Jato.

Deputados que tiveram acesso ao relatório, mantido em sigilo pela CPI, disseram ao Estado que o documento levanta, por exemplo, a suspeita de que o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava Jato, possa ter contas no Líbano e em Hong Kong. Pedro Barusco, outro delator, também é mencionado no relatório como suspeito de ter contas em diversos paraísos fiscais.

O documento produzido pela Kroll também levanta suspeitas de que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato, possa manter contas no Uruguai. A Kroll, contudo, não repassou detalhes aos parlamentares. Para isso, cobrava da CPI a assinatura de um novo contrato que ao final, segundo integrantes, poderia chegar a R$ 10 milhões. Apenas para levantar as suspeitas contra os alvos, sem qualquer comprovação de veracidade, a empresa cobrou e a Câmara aceitou pagar R$ 1,18 milhão. Sem acordo com os deputados, a Kroll anunciou ontem, em nota, que não iria continuar os trabalhos.

Lista. A lista de devassados pela Kroll a pedido da CPI inclui outros delatores do esquema de corrupção da Petrobrás, como o lobista Julio Camargo, que acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de receber propina de US$ 5 milhões em seu depoimento, e até mesmo Stael Fernanda Janene, viúva do ex-deputado José Janene (PP-PR). E ainda: Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobrás), Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal), Augusto Mendonça (ex-dirigente da Toyo Setal), Eduardo Leite (ex-diretor vice-presidente da Camargo Corrêa), Dalton Avancini (ex-presidente da Camargo Corrêa), Julio Faerman (representante da SBM Offshore no Brasil) e Ricardo Pessoa (empreiteiro da UTC). Segundo integrantes da CPI, a Kroll levantou suspeitas contra todos.

Os nomes dos investigados pela Kroll vinham sendo mantidos em sigilo por Cunha e pelo presidente da CPI da Petrobrás, Hugo Motta (PMDB-PB), seu aliado político, há dois meses. Ontem, contudo, Motta decidiu compartilhar a relação com os demais membros da CPI numa tentativa de renovar o contrato com a Kroll.

Deputados levantaram dúvidas sobre a postura da Kroll. "A Câmara gasta R$ 1 milhão com a empresa, que pouco acrescentou aos trabalhos de apuração do colegiado e, repentinamente, encerra as atividades, deixando o colegiado a ver navios", disse a deputada Eliziane Gama (PPS-MA). / COLABOROU VALMAR HUPSEL FILHO

 

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