A partir de amanhã, lotéricas não serão "bancos"

A partir de amanhã, as casas lotéricas não podem mais prestar serviços bancários para poupadores e correntistas da Caixa Econômica Federal ou fazer pagamento de pensões e aposentadorias. O recebimento de contas de luz, água, telefone e outros títulos será mantido.A suspensão foi determinada por liminar concedida ao Ministério Público Federal (MPF) por uma juíza do Rio Grande do Sul. A ação movida pelo MPF em Porto Alegre alegou falta de segurança para a prestação do serviço em lotéricas, farmácias e supermercados, também atingidos pela decisão. Pelo descumprimento da medida, será cobrada multa diária de R$ 100 mil. Com isso, clientes da Caixa e pensionistas de cidades pequenas terão de recorrer a agências de cidades vizinhas. Na paranaense Ipiranga, a 180 quilômetros de Curitiba, a única lotérica atende cerca de 30 pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e 300 beneficiados pelo Bolsa-Escola."O pessoal terá de viajar 60 quilômetros até a agência mais próxima", diz o dono da lotérica, Marco Aurélio Mancini. Outra conseqüência prevista pela Federação Brasileira de Empresas Lotéricas (Febralot) é o desemprego. "Cinco mil postos de trabalho podem ser cortados", estima o diretor Antonio Speranzoni Júnior. Apesar disso, Speranzoni levanta um aspecto positivo da decisão. "Isso mostra que nossa reclamação por segurança é justa", diz. Na semana passada, donos de lotéricas de São Paulo mantiveram as portas fechadas, em protesto contra a morte de três colegas em agosto.A viúva Ivone José da Silva Tokunaga, de 42 anos, não abriu a lotérica do Jardim Iguatemi, na zona leste, desde que o marido, Armando Tokunaga, foi assassinado por um assaltante. "Não tenho condições de manter o negócio", diz Ivone. Por causa desses incidentes, a Caixa anunciou um investimento de R$ 81 milhões em segurança. Mas alguns proprietários consideram o valor baixo. Eles dividiram os R$ 30 milhões correspondentes ao porcentual da Caixa no fundo pelo número de casas existentes no País (8.540) e pelos dias trabalhados (26 por mês). Chegaram a R$ 11,25 por dia, o que consideram pouco. A Associação Brasileira de Empresas Lotéricas (Abraelo) pretende propor, em audiência com o presidente da República, a redefinição do rateio das loterias, destinando-se maior parte à segurança, ou a criação de uma loteria com o lucro destinado exclusivamente a isso."Vamos tentar com o presidente, porque a direção da Caixa não tem idéia e não sabe administrar", criticou em Curitiba a presidente da Abraelo, Rejane Dick.

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