'A mim, Minc não engana', diz senadora do DEM

Kátia Abreu rebate ministro e diz que mantém posição até que 'esse senhor mude de comportamento'

Célia Froufe, da Agência Estado,

04 de junho de 2009 | 15h43

A presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM- TO), respondeu nesta quinta-feira, 4, ao reconhecimento público feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de que se excedeu ao chamar os ruralistas de "vigaristas" na semana passada e que iria buscar entendimento com a senadora. "Minc não pode se auto-absolver; a mim, ele não engana", disse Kátia à Agência Estado, por telefone, de Curitiba, antes de partir para Toledo (PR).

 

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De acordo com a senadora, o melhor era que o assunto se encerrasse, pois, segundo ela, está se "estendendo demais". "Não quero fulanizar o tema, mas mantenho a posição de início até que esse senhor mude de comportamento", afirmou. Katia alega que, como ministro de Estado, Minc age mal não só ao expor o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como também os demais ministros. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente revelou a jornalistas que, em encontro reservado com o presidente, demonstrou insatisfação em relação a alguns colegas.

 

A presidente da CNA argumentou que percebeu nas entrelinhas do discurso de Minc nesta quinta, novo tom de ironia. "Ele disse que falaria até com os ruralistas. Por que esse até? Não somos criminosos", justificou. Kátia também disse que não está disposta a ouvir elogios do ministro, mas se mostrou disponível a conversar "a sério" com Minc, assim que o ministro deixar as ironias e expressões vulgares de lado.

 

Mais cedo, o ministro fez a seguinte pergunta: "Ora, fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por que não posso fazer com a senadora Katia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada?". A senadora enfatizou que não é amiga do ministro e que não pretende ser e fez questão de frisar que sua resposta não possui caráter pessoal. "Ele não era assim, ele não me engana", reforçou.

 

Na avaliação da presidente da CNA, a indisposição recente de Minc com alguns colegas e setores nada mais é do que uma estratégia política. "Ele está montando o circo para ganhar a eleição. Está com problemas de eleição no Rio", avaliou.

 

Minc garantiu nesta quinta que ficará no governo Lula como ministro até o final do mandato do presidente, mas, para alguns observadores, ele deve se afastar do cargo para concorrer a eleições no Rio de Janeiro. "Às custas da minha categoria, ele não fará isso. A CNA não se presta a esse papel", concluiu a senadora.

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