"A maioria não vai permitir nenhuma CPI", diz líder do PMDB

Os líderes Aloizio Mercadante (PT-SP), do governo, e do PMDB, Renan Calheiros (AL), reafirmaram hoje a decisão política da base governista de não permitir a instalação da CPI sobre o caso Celso Daniel. O anúncio foi feito depois de um a reunião dos dois com o senador Dulciomar Costa (PTB-PA), que também havia assinado o requerimento para a CPI. "Há uma decisão da maioria de não fazer uma investigação política em ano de eleição municipal, pois o que a oposição quer é um palanque eleitoral", acusou Calheiros. Renan respondeu também à acusação do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AL), de que o governo estaria colocando sobre o senador Papaléo Paes (PMDB-AP) o ônus de impedir a criação da CPI."A maioria não vai permitir nenhuma CPI, seja do Bingo, do Waldomiro ou de Santo André", reiterou o líder peemedebista, referindo-se ao acordo da base aliada para não indicar representantes dos partidos governistas. Renan argumentou ainda que o requerimento do Caso Daniel estava pronto há muito tempo, mas só foi usado depois que os requerimentos da CPI do Bingo e da CPI do Waldomiro foram esvaziados. Segundo Mercadante, os senadores da base aliada, que assinaram o requerimento estariam constrangidos com a decisão de Arthur Virgílio de reapresentar o requerimento depois de mais de seis meses, um ano. "Muitos poucos senadores aprovariam hoje uma atitude como esta e isso é claramente um atitude eleitoral". Discussão No plenário do Senado, Arthur Virgílio discutiu com Aloizio Mercadante e Renan Calheiros, as medidas tomadas para impedir a instalação da CPI sobre o Caso Daniel. Arthur Virgílio acusou o governo de estar operando para impedir a investigação. "Ele está se especializando nisso; se fosse no judô, acabaria se tornando um faixa preta", ironizava o tucano, antes de seu pronunciamento na tribuna. O senador acusou o governo de acabar de uma vez por todas com o direito da minoria de criar comissões parlamentares de inquérito "e não investigar nada". Mercadante por sua vez argumentou que o governo não alterou nenhuma regra sobre a instalação da CPI, mas apenas adotou o que está previsto sobre a instalação das comissões. "A minoria pode criar a CPI, mas sua instalação depende da maioria, como todas as atividades do parlamento", argumentou ainda Renan.

Agencia Estado,

12 de março de 2004 | 14h14

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