''A luta não acabou, vamos dar continuidade ao governo''

Marcelo Miranda: governador cassado do Tocantins; peemedebista está certo de que verá a vitória de um correligionário na eleição indireta e já tem planos para o Senado em 2010

Entrevista com

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

O peemedebista Marcelo de Carvalho Miranda, de 47 anos, mostrava uma resignação surpreendente, na manhã de ontem, para um governador que perdeu o mandato. A tranquilidade de Miranda tem explicação. Com ampla maioria na Assembleia Legislativa, ele certamente verá um correligionário vitorioso na eleição indireta.

Além disso, o governador interino, Carlos Henrique Gaguim, presidente da Assembleia Legislativa, é aliado de Miranda. Assim como o novo comandante do Legislativo estadual, Júnior Coimbra, que conduzirá o processo eleitoral. São todos do PMDB. O governador cassado, em vez de lamentar a decisão judicial, já tem planos para o futuro. Pretende ser candidato ao Senado em 2010.

Por telefone, enquanto esperava a chegada de Gaguim, na porta do Palácio Araguaia, Miranda falou ao Estado.

Como o senhor reage à decisão do Tribunal Superior Eleitoral de cassar seu mandato?

Recebi a decisão com humildade e respeito à Justiça. Ontem foi um dia normal de trabalho, mas à noite veio este desfecho. Para mim, a luta não acabou, vamos dar continuidade ao governo. Desejo que o novo governador seja muito feliz.

O senhor não teme a interrupção de suas ações no governo?

O novo governador é do nosso partido. Estou tranquilo para dizer que fiz o que pude, que em grande parte nosso trabalho foi cumprido. Todos os secretários vão entregar o cargo, é uma equipe valorosa, cabe ao novo governador escolher a equipe.

O senhor foi punido por abuso do poder político nas eleições de 2006. Como se defende das acusações?

Continuo dormindo em paz. Entrei pela porta da frente e sairei pela porta da frente.

Concorda com eleições indiretas para seu substituto?

Foi determinado pelo TSE que tem que ser eleição indireta. Respeito o eleitor indireto. O deputado estadual representa o eleitorado. Quem vai votar são os 24 deputados, mas a sociedade deve ser chamada a participar.

O senhor vai se engajar na campanha do governador interino, Carlos Gaguim, para o mandato-tampão?

Vou ser muito sincero: ainda não pensei nisso. Se eu for convocado pelo partido, estou pronto a contribuir.

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