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A lição e a herança de Dilma

Assim como o controle da inflação se tornou prioridade eleita pela sociedade brasileira para qualquer governo ao longo dos anos 90, a gestão Dilma Rousseff deixará como herança, embora mais pelos seus erros, um pilar igualmente importante: a responsabilidade fiscal.

Fábio Alves, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2016 | 10h17

O governo Dilma ficará marcado por promover uma desarrumação profunda dos fundamentos econômicos, movido por uma ideologia populista que resultou em fracasso nos países latino-americanos onde seus governantes a adotaram, a exemplo de Cristina Kirchner, na Argentina, e Nicolás Maduro, na Venezuela.

Mas os erros de Dilma serão seu legado no Brasil. Daqui em diante, um presidente, um governador ou um prefeito pensará duas vezes antes de repetir as chamadas pedaladas fiscais – os atrasos a bancos públicos de bilhões de reais em repasses federais para pagamento de benefícios e de programas de governo.

Em razão do trauma com a hiperinflação e com o fracasso de vários planos econômicos, os brasileiros ficaram craques no tema. Talvez não discutam com igual profundidade as questões fiscais que assolam o País, mas o controle dos gastos públicos e a responsabilidade fiscal não são mais assuntos apenas para especialistas.

O descontrole fiscal observado no governo Dilma fez parte de um experimento malsucedido chamado “Nova Matriz Econômica”. Dilma liderou o desmonte dos pilares que deram sustentação à economia desde o Plano Real, permitindo o controle da inflação e a manutenção de uma dinâmica sustentável da dívida pública. 

Entre os experimentos desastrosos estão a concessão indiscriminada de benefícios fiscais, a escolha de campeões nacionais via subsídios e a intervenção exagerada em setores da economia. Sem falar no represamento de preços controlados pelo governo, como as tarifas de energia, e a redução dos juros quando a inflação estava acima do centro da meta. 

A fatura dessas escolhas vem sendo paga pelo brasileiro desde o ano passado, quando o PIB encolheu 3,8%. Já a inflação bateu em 10,67% em 2015. E já são mais de 11 milhões de desempregados no País.

A recuperação da economia poderá levar mais tempo do que os milhões de desempregados esperam, mas olhando para o futuro é difícil imaginar um presidente que decida repetir as pedaladas fiscais, gastar muito mais do que arrecada, baixar os juros sem que as condições permitam, represar tarifas públicas, intervir com mão pesada na economia. Os erros de Dilma custaram caro ao País, mas podem servir de lição valiosa para o futuro. 


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