Paulo Whitaker/REUTERS
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A jornal americano, Temer diz que popularidade de Dilma deve crescer

Em entrevista por telefone, vice-presidente afirma que não vai haver 'nenhum tipo de perturbação institucional'

Com agências de notícias, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 19h29

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff deve provavelmente ver sua popularidade subir até meados de 2016, apesar da escalada da crise econômica no país e os pedidos de impeachment, disse o vice-presidente, Michel Temer, em entrevista ao The Wall Street Journal.

Temer também prevê que Dilma deve terminar seu segundo mandato como presidente, que se encerra em 2018. O voto de confiança verbal de Temer em Dilma ocorre apenas um dia após o vice-presidente ter declarado a empresários que seria difícil para a presidente terminar seu segundo mandato, caso sua aprovação permaneça no atual nível de cerca de 8%. 

"Você pode escrever isso: eu tenho certeza absoluta que isso irá acontecer, que será útil para o País, que não haverá nenhum tipo de perturbação institucional", disse o vice-presidente por telefone. "Dilma continuará a governar "até o final, até 2018", comentou. 

Ele também expressou confiança no ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que cada vez mais têm atraído críticas, diante da piora nas contas públicas do Brasil. Levy tem sido alvo de especulações de que pode renunciar ou ser forçado a sair. 

"Levy tem total apoio do governo e também do meu partido", disse Temer. "A saída de Levy não seria útil para o País", declarou. 

O contínuo apoio de Temer à presidente e à sua administração é considerado essencial para que Dilma seja capaz de manter sua instável coalizão de governo. 

As avaliações de Dilma despencaram para o patamar de um dígito nos últimos meses. Seu governo tem sido abalado por um escândalo de corrupção na Petrobrás, envolvendo membros proeminentes do Partido dos Trabalhadores, e a economia do Brasil caiu em sua mais profunda desaceleração em 25 anos. 

As recentes declarações públicas e ações do vice-presidente foram cuidadosamente analisadas por políticos, investidores e pela mídia brasileira, em busca de pistas sobre se o PMDB continuará a apoiar o Partido dos Trabalhadores ou se irá romper e buscar uma agenda própria. 

Em agosto, Temer anunciou que estava se afastando de sua posição crucial de articulador do governo no Congresso. A ação foi interpretada por muitos analistas como um possível sinal de que o PMDB irá romper formalmente com o Partido dos Trabalhadores na reunião estratégica de planejamento em novembro. 

Entretanto, durante a entrevista, Temer pareceu oferecer uma avaliação otimista das perspectivas de cooperação entre os dois partidos. 

"Nós representamos o PMDB, que lidera a Câmara dos Deputados e o Senado, com um número relevante de políticos, e todos eles estão dispostos a colaborar com o governo", disse Temer. "Nós fomos capazes de apoiar as medidas de ajuste fiscal, que são cruciais para a recuperação da economia", afirmou. 

Dilma, que venceu uma reeleição apertada em outubro, está vendo seu segundo mandato abalado por uma investigação de corrupção sobre supostas fraudes e subornos na Petrobras. 

A presidente não foi envolvida nas denúncias. Mas a combinação do escândalo com uma economia em dificuldades fez com que uma multidão de brasileiros fossem às ruas neste ano, pedindo por seu impeachment. 

A grande onda de corrupção envolveu dezenas de políticos, incluindo membros proeminentes do PMDB como Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, e Renan Calheiros, presidente do Senado. Ambos negaram as acusações. 

A investigação causou um racha entre o PMDB e o Partido dos Trabalhadores, adiando a aprovação de peças vitais de legislação econômica no Congresso.

O fracasso do governo em aprovar seu programa econômico no Congresso levou a especulações na imprensa local de que Levy estaria considerando deixar seu cargo por causa da frustração. Os rumores desequilibraram os mercados financeiros no País em meio às preocupações de que o governo poderia abandonar seu programa de austeridade. 

Levy quer aprovar uma série de aumentos de impostos e cortes orçamentários para diminuir a dívida do país e preservar o grau de investimento. Entretanto, essas medidas enfrentaram uma oposição feroz no Congresso, não apenas do PMDB, mas também de membros do próprio Partido dos Trabalhadores. 

Temer afirmou não estar seguro sobre a possibilidade de Levy permanecer em seu cargo até o fim do segundo mandato de Dilma. 

"Eu acho que ele consegue ficar até o final...mas eu não sei o que pode acontecer nos próximos anos", disse Temer. A presidente Dilma "precisa ficar no cargo, mas os ministros podem escolher se querem sair antes", comentou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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