Dilma pede tempo para suas promessas

Presidente admite a jornal alemão que não conseguiu cumprir o que prometeu para 2º mandato e que recessão deve durar por mais um ano

Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 12h45

Atualizado às 21h51

A presidente Dilma Rousseff pediu mais tempo para que possa entregar tudo o que prometeu na campanha eleitoral à reeleição no ano passado. O pedido foi feito durante entrevista da petista ao jornal alemão Handelsblatt, publicada nesta sexta-feira, 21. À publicação, Dilma diz ainda que a recessão deve atingir o Brasil por período de “seis a no máximo 12 meses”, mas reconhece que o caminho posterior será difícil e “ninguém vai passar sem ajustes dolorosos”. 

Na entrevista, a presidente reconhece que não conseguiu entregar o prometido durante a campanha de 2014, mas pediu tempo aos eleitores. “Em nove meses desde a eleição, nós não conseguimos implementar o que prometemos para o segundo mandato. Eu digo: nos dê mais tempo e então nós poderemos alcançar as expectativas”, disse ao jornal alemão. 

A presidente afirmou que prevê que o Brasil fique em recessão por “seis a no máximo 12 meses” antes de voltar a crescer. Mas alertou que o caminho do País não deve ser fácil. Diante desse cenário menos favorável, a petista admite que o ritmo de redução da pobreza no Brasil será mais lento. “Nós não vamos progredir tão rápido como na década passada.”

Lava Jato. A entrevista trata pouco do caso de corrupção na Petrobrás investigado na Operação Lava Jato. Sobre o assunto, Dilma reafirmou o discurso de que os responsáveis devem ser punidos, mas as empresas, não. “Nós não queremos criminalizar as empresas ou puni-las coletivamente. Nosso modelo é o dos Estados Unidos que pune os responsáveis, e as empresas seguem em frente”, disse.

Questionada sobre eventual preocupação com a iminente subida de juros nos Estados Unidos, Dilma expressou confiança de que o Federal Reserve, o Banco Central americano, fará o movimento “com cautela e no ritmo certo, de modo a não incentivar a instabilidade”. 

Protesto. Nesta sexta Dilma cumpriu agenda no Nordeste. No Recife, onde se reuniu a portas fechadas com ministros, parlamentares e empresários na sede da Federação das Indústrias de Pernambuco para ouvir “anseios e necessidades” do Estado e do setor industrial, a presidente foi alvo de protestos. Cerca de 50 manifestantes ligados ao Sindicato de Policiais Civis se reuniram em frente ao prédio da federação e gritaram palavras de ordem contra ela e o governador Paulo Câmara (PSB). O grupo fez ainda críticas ao ajuste fiscal. Dos carros e ônibus, motoristas e passageiros apoiaram a manifestação com gritos, aplausos e buzinaço. 

São Francisco. Pela manhã, em Cabrobó (PE), Dilma reconheceu as dificuldades na economia e disse que não adianta “tapar o sol com a peneira”, mas que está se esforçando para superar a crise. “Como vocês têm dificuldades nas suas casas com o orçamento, o governo federal também teve. E como vocês escolhem onde aplicar o dinheiro, o governo federal também, mas não vamos cortar os programas sociais”, afirmou.

Em Cabrobó Dilma participou da inauguração da primeira Estação de Bombeamento do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. A estrutura levará a água por 45,9 quilômetros até o reservatório de Terra Nova, em Cabrobó. O investimento nesse trecho é de R$ 625 milhões. A presidente destacou a participação do ex-presidente Lula na obra, que, segundo ela, será concluída no fim de 2016. “Eu quero estar aqui com ele (Lula) em dezembro”, disse. / FERNANDO NAKAGAWA, ANTONIO PITA, ÁLVARO CAMPOS, CARLA ARAÚJO e FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

Tudo o que sabemos sobre:
dilma rousseffajuste fiscal

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.