Cardozo pede que não haja 'prejulgamentos'na Operação Lava Jato

Ministro da Justiça se reuniu com procurador-geral e presidente do Supremo dois dias após ação da PF que teve senadores como alvos

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2015 | 20h21

Brasília - Dois dias após a deflagração da operação Politeia, nova fase da Lava Jato que atingiu três senadores e outros políticos, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e também com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ao deixar o encontro no STF, Cardozo pediu que não sejam realizados "prejulgamentos" sobre os investigados. 

"É equivocado, a partir de denúncias, a partir de delações premiadas, a partir de testemunhas, dizermos se uma pessoa é culpada ou não. Nós não podemos execrar uma pessoa antes que ela possa exercer seu direito de defesa, apresentar suas provas e antes mesmo de um juiz de direito sentenciar", afirmou o ministro. Cardozo vem sendo criticado por setores do PT que consideram que o ministro não consegue evitar o desgaste do partido diante das investigações feitas pela Polícia Federal (PF) sobre o esquema de desvios na Petrobras. Ao deixar o Supremo, após reunião de cerca de uma hora com o presidente da Corte, o ministro negou que tenha tratado sobre as investigações de políticos na Lava Jato.

Os 53 mandados de busca e apreensão realizados na terça-feira que atingiram os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra (PSB-PE), foram solicitados por Janot, condutor das investigações, e realizados pela Polícia Federal e por procuradores. As medidas foram autorizadas por três ministros do Supremo: Lewandowski, Teori Zavascki e Celso de Mello.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a Casa cogitava ir ao STF para questionar a forma de realização das buscas pela PF - subordinada ao ministro da Justiça - nas residências de parlamentares. 

Cardozo pediu que reclamações sobre atuação da PF sejam formalmente endereçadas a ele. "Se houve abusos, se existem denuncias de abusos eu só solicito que representem para o ministro da justiça para que eu possa determinar a apuração. O meu papel é fiscalizar. Se alguém acha que teve seu direito ferido, que represente e nós fazemos a apuração", afirmou o ministro. Ele disse não ter recebido questionamentos formais até o momento sobre a legalidade da operação. Parlamentares reclamam do fato de policiais federais não terem comunicado a operação à Polícia Legislativa. 

Vazamento

O ministro informou que foi aberto um inquérito policial para apurar o vazamento de trechos da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, que está em segredo de Justiça, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

Oficialmente o tema do encontro com Lewandowski passou por lei de mediação, questões indígenas, reajuste salarial de servidores do judiciário e sistema prisional. Com o procurador-geral da República, a pauta foi questão indígena, segundo Cardozo. As reuniões foram incluídas de última hora nas agendas. 

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