À Itália, ele pede que mostre ''lado cristão''

Em outra carta, Battisti faz apelo a seu país por fim de perseguição

AFP e EFE, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

O extremista italiano Cesare Battisti escreveu uma carta ao governo da Itália, pedindo que mostre "seu lado cristão" e deixe de "persegui-lo". O documento foi escrito pelo ex-integrante do grupo Proletários Armados contra o Comunismo (PAC) no presídio da Papuda, no Distrito Federal, onde aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie sobre o pedido de extradição para seu país de origem.No texto, Battisti pergunta "se não chegou a hora de que a Itália mostre seu lado cristão" e tenha um "ato de nobreza" ao conceder-lhe um perdão pelos crimes de que é acusado. Ele foi julgado e condenado pela Justiça italiana por quatro assassinatos cometidos na década de 70, mas nega a autoria dos crimes. "Queria poder dizer minha verdade aos povos italiano e brasileiro. Mas como posso fazê-lo se sou linchado por uma multidão manipulada?", indagou Battisti. "Encontro-me numa situação terrível. Estou estupefato, desarmado diante da hostilidade e do ódio cheio de rancor de meus adversários." Battisti também acusou "vários membros do governo italiano" de ocultar seu passado de "ativistas de extrema direita"A carta despertou a reação de parlamentares italianos. "Queremos perguntar a Battisti de que coisa a Itália deveria perdoá-lo. Pelos homicídios brutais que ele cometeu?", indagou o líder da coalizão Povo da Liberdade no Senado, Maurizio Gaspari, segundo informou ontem o site da agência de notícias italiana Ansa. "Onde estava sua fé cristã enquanto matava inocentes?", prosseguiu o parlamentar. Por outro lado, a escritora Fred Vargas voltou a se manifestar ontem em apoio a Battisti. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, ela afirmou que o processo contra o italiano "foi falso do princípio ao fim".

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