A intelectuais, Renan diz não ver 'franja' de indício para impeachment

Presidente do Senado, que decide se dá continuidade ao processo iniciado na Câmara, indicou ser contrário ao afastamento da presidente em reunião com grupo pró-Dilma

Ricardo Brito e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2015 | 17h53

Brasília - Em um encontro com artistas, intelectuais e parlamentares na quinta-feira, 17, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou não haver "uma franja" de indício para que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizasse a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. As declarações de Renan constam de vídeo postado no Youtube e que também foram confirmadas por três participantes do encontro ao Broadcast.

"Não é constitucional - e os senhores têm absoluta razão - é você botar para andar um processo de impeachment cuja caracterização do crime de responsabilidade não existe. Não tem sequer uma franja, um indício, uma evidência, uma prova, nada", disse o peemedebista.

Confira a fala do presidente do Senado no vídeo:

 

Renan destacou ainda que, seu papel como presidente do Senado e do Congresso, é "garantir a democracia". "Não tenho absolutamente nenhuma dúvida disso. Nós vamos em todos os momentos, nas maiores e menores dificuldades, somar esforços nessa direção", afirmou ele, sob aplausos dos presentes.

O encontro com Renan havia sido articulado pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN). Ela relatou ao Broadcast ter pedido ao presidente do Senado na terça-feira, 15, se poderia receber em seu gabinete para receber o manifesto em defesa do mandato de Dilma. Ele aquiesceu em receber o grupo dois dias depois.

A conversa durou cerca de 25 minutos. No encontro, que começou por volta das 14h30, conforme relatos de presentes à reunião, o teólogo Leonardo Boff fez uma introdução sobre o manifesto em defesa do mandato de Dilma. O grupo entregou uma cópia do documento para Renan. E, sem ter sido instado, o próprio peemedebista se posicionou contrariamente à decisão do colega da Câmara. 

O grupo comemorou a manifestação de Renan. "Se por acaso chegar (o processo de impeachment), e acho que não chega, o Senado vai redefinir a posição", disse Fátima Bezerra. "Pelo papel que ele (Renan) exerce nesse momento, tem um peso do ponto de vista político muito importante", completou.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), outro participante da reunião, disse que o presidente do Senado foi firme nas suas declarações. "O presidente Renan demostrou com sua declaração, respeito à Constituição e ao Estado de Direito, ao declarar contrário ao golpe, sem abrir mão das críticas necessárias em relação a necessidade de mais mudanças no governo da presidenta Dilma", disse.

Nos bastidores, Renan já vinha se manifestando contra o impedimento de Dilma, mas, pela primeira vez, é revelada uma fala dele nesse teor. O peemedebista é o principal aliado do governo para barrar o impeachment no Congresso. O cacife dele também aumentou desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Senado tem poderes para arquivar uma eventual decisão da Câmara de instaurar o processo de impedimento contra a presidente.

O encontro do peemedebista com o grupo ocorreu por volta das 14h30, pouco depois de Renan ter almoçado no Palácio do Alvorada com Dilma e os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Na ocasião, a presidente agradeceu-o por ter desafiado o vice Michel Temer que, na avaliação do governo, faz movimentos escancarados em defesa do impeachment.

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