Reprodução/Corriere della Sera
Reprodução/Corriere della Sera

À imprensa italiana, Cesare Battisti havia descartado fuga há um mês

Em foto mais recente, italiano segura edição do 'Estado' de 2 de novembro; jornais internacionais repercutiram extradição

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2018 | 20h12

Foragido da Justiça após ter sua extradição decretada pelo presidente Michel Temer, o italiano Cesare Battisti havia enviado uma foto ao jornal Corriere della Sera no início de novembro e negado qualquer possibilidade de fuga à imprensa daquele país. O registro, em que segura a edição do dia 2 de novembro do Estado, é o mais recente à qual o Corriere teve acesso. A imprensa internacional tem repercutido a decisão de extraditar Battisti, condenado no seu país por quatro assassinatos nos anos 1970. 

Em duas entrevistas à imprensa italiana, Battisti negou veemente qualquer intenção de fugir. No dia 31 de outubro, à emissora RAI, ele havia dito que não estava procupado com sua liberdade pois estava "garantido pela Suprema Corte" brasileira – antes da decisão do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão cautelar para fins de extradição. Battisti disse ainda que declarações do clã Bolsonaro sobre sua extradição eram "fanfarronadas". 

Dias depois, ao Corriere, o italiano contou que continuava morando em sua casa em Cananeia, no litoral sul paulista, e que sua rotina no Brasil envolvia duas viagens semanais a São Paulo. Na capital paulista, ele faria consultas médicas periódicas, além de encontros com seu advogado e um editor. Battisti contou ao jornal que estava planejando o lançamento de um novo livro em breve. "Aqui no Brasil, sou um cidadão livre", declarou ao Corriere.

Segundo o jornal, a polícia italiana havia pedido repetidas vezes a autoridades brasileiras para aumentar o aparato de vigilância em torno de Battisti. Policiais brasileiros teriam tranquilizado os europeus em relação ao monitoramento, de acordo com o Corriere.

Battisti não foi encontrado pela Polícia Federal em sua residência, e é considerado foragido desde sexta-feira, 16.

O jornal francês Le Monde também repercutiu a decisão de extraditar o italiano. A reportagem destaca que a decisão judicial, de Fux, está alinhada a promessas do presidente eleito Jair Bolsonaro durante a campanha. 

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