A história do dinheiro, da moeda grega ao euro

O Museu Histórico Nacional voltará a exibir sua coleção de moedas a partir do próximo dia 19 e, através delas, contar a história do dinheiro da antiguidade clássica até a criação do euro. A exposição, que ficará em caráter definitivo na Casa do Trem, um dos prédios da instituição na Praça 15, no centro do Rio, terá 3 mil das 130 mil peças da coleção de numismática da instituição, e tem desde moedas gregas do século 7 antes de Cristo (um sexto de estáter, moeda da Jônia) até os cartões de crédito, o dinheiro de plástico que surgiu no século 20.A coleção do MHN veio para o Brasil com dom João VI, mas tornou-se importante a partir dos anos 20 do século passado, quando foi levada da Biblioteca Nacional para o museu então recém-fundado. "Desde então, fizemos importantes aquisições, comprando ou recebendo doações de particulares", diz a diretora da instituição, Vera Tostes. "Hoje nossa coleção é a mais importante da América Latina e continua a crescer. Só este ano investimos R$ 60 mil na compra de 170 itens para completar o acervo."Apesar disso, o público não via essa preciosidade há 25 anos, por falta de condições de exibição. "A Casa do Trem entrou em obras em 1985 e só ficou pronta há dois anos. Era preciso organizar a exposição com segurança e de forma didática, o que conseguimos com patrocínio da BR-Distribuidora (R$ 350 mil pela Lei Rouanet), explica Vera."A exposição do acervo brasileiro ficará para depois. Além de não termos a verba suficiente, já existem coleções nacionais, em bancos estatais e particulares, à disposição do público."As estrelas da coleção do MHN, no entanto, estarão lá. Entre elas, o Índio, moeda de prata cunhada em 1498, em Portugal, a mando do rei dom Manoel I, exemplar único no mundo; os dobrões de ouro (pesando 53 gramas) cunhados em Ouro Preto, mas usados em Portugal no início do século 18; o tetradracma do tempo de Alexandre III, o Grande, da Macedônia; além do dinheiro usado na China, na África e na América Latina e da moeda de cinco libras de ouro, cunhada em homenagem à rainha Vitória da Inglaterra, em 1887, da qual restam poucos exemplares."As três características da moeda, ser uma reserva de valor, um meio de troca e um padrão de conta, estão presentes em todos os itens da coleção exibidos", diz o curador da mostra, Luiz Corrêa do Lago, professor de história econômica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e colecionador.Ele escreveu também textos explicativos para cada seção e procurou dar caráter didático e cronológico à mostra. "As mutações monetárias são sempre reflexo da vida política e social e até estética, pois a forma de cunhar as moedas é muito próxima à arte que se faz em um país ou região."A exibição desse acervo vem sendo preparada há três anos, como conta a diretora do Departamento de Numismática do MHN, Eliane Rose Nery, que tem cinco profissionais em sua equipe, para cuidar de todo o acervo. "Foi preciso catalogar e descrever cada peça e buscar no inventário as mais importantes", conta ela. No entanto, só as moedas que tiveram valor monetário vão estar expostas a partir do dia 19."Nossa coleção tem ainda selos serigráficos (que eram usados para fechar correspondência ou para autenticar assinaturas de nobres), condecorações e medalhas comemorativas. Mas estas vão ficar para as exposições temporárias que realizarmos."

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